Nos bastidores do Supremo, Fachin e Dino se abraçam após embate e Mendonça expressa contrariedade
Após uma sessão do Supremo Tribunal Federal marcada por debates acalorados sobre casos de alta repercussão, os ministros Edson Fachin e Flávio Dino foram vistos em um abraço de distensão nos bastidores. O gesto contrastou com a postura de André Mendonça, que demonstrou clara contrariedade e manteve conversas isoladas, refletindo as complexas dinâmicas da Corte em um dia de julgamentos cruciais.

Divulgação
O Supremo Tribunal Federal (STF) presenciou, nesta terça-feira (15 de setembro de 2026), um raro momento de bastidores que expôs a complexa teia de relações e tensões entre seus membros. Após uma sessão de julgamento acalorada e marcada por questões de ordem e debates profundos, os ministros deixaram o plenário, e o que se seguiu fora das câmeras revelou gestos de distensão e a persistência de descontentamentos. Em um dos momentos mais notáveis, os ministros Edson Fachin e Flávio Dino, que protagonizaram um embate ao vivo momentos antes, foram vistos em um abraço nos corredores da Corte, um sinal de aparente superação das divergências.
Apesar do clima de intensa discussão que dominou o plenário durante a análise de processos de alta repercussão, o trajeto para a sala de togas foi permeado por conversas e risadas entre diversos magistrados, incluindo Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Contudo, em meio a essa aparente normalidade, o ministro André Mendonça manteve um diálogo reservado com Flávio Dino, expressando claramente sua contrariedade em relação a falas proferidas por Gilmar Mendes sobre a condução do sensível inquérito do 'Caso Master'. Essa postura de Mendonça sublinhou que, mesmo após o término da transmissão ao vivo, as tensões subjacentes aos julgamentos persistem nos corredores do Tribunal.
O pano de fundo da tensão: os casos Moraes-Vorcaro e Mendonça
O embate que antecedeu o abraço entre Fachin e Dino, e que motivou a contrariedade de Mendonça, está diretamente ligado a dois procedimentos de grande impacto na Corte. O 'Caso Moraes-Vorcaro' envolve um relatório da Polícia Federal que aponta uma possível ligação entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, investigado por uma das maiores fraudes financeiras do país. O ministro André Mendonça, relator inicial, tornou público esse relatório, gerando controvérsia sobre a validade do procedimento da PF. Paralelamente, Mendonça se tornou alvo de um pedido de investigação por abuso de autoridade e improbidade administrativa, feito por Moraes. A relatoria desse último caso foi avocada pelo presidente do STF, Edson Fachin, tornando-o um dos focos da sessão desta terça-feira e da acalorada discussão sobre questões de ordem.
Gestos e conversas nos últimos momentos da sessão
Durante a transmissão ao vivo, a linguagem corporal dos ministros já indicava o clima de polarização, com balanços de cabeça em sinal de apoio ou irritação às falas. Notavelmente, André Mendonça e Luiz Fux demonstraram discordância à questão de ordem levantada pelo ministro decano. No encerramento da sessão, após a rápida conversa de Moraes com Toffoli e sua aproximação de Gilmar Mendes, o abraço entre Dino e Fachin ocorreu na saída do plenário, evidenciando uma tentativa de distensão entre as lideranças. Enquanto a maioria dos ministros seguiu para o ambiente reservado, com Cármen Lúcia entre eles, Fux e Mendonça foram os últimos a deixar o plenário, em fila indiana, com Mendonça ainda refletindo a complexidade do momento e a repercussão dos temas debatidos.
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