Na Tv, Lula diz que preços dos alimentos dispararam no governo Bolsonaro
Em programa eleitoral, o presidente associou a alta de arroz, feijão e óleo à gestão de Jair Bolsonaro. Dados oficiais confirmam pressão relevante no período, mas a comparação exige cuidado com metodologia, local e causas da inflação.

Divulgação
Em programa eleitoral exibido em 17 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os preços dos alimentos “dispararam” durante o governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022. A propaganda destacou itens presentes no cotidiano das famílias, como arroz, feijão e óleo de cozinha, e relacionou a perda do poder de compra à administração do antecessor.
“Vamos falar a verdade. No governo Bolsonaro, o preço dos alimentos disparou”, disse Lula. A peça citou preços de até R$ 12 para o feijão, R$ 45 para o pacote de arroz de 5 kg e R$ 12 para o litro de óleo, além de defender que a inflação alimentar acumulou alta de 57% no período.
Alta foi intensa, mas indicadores têm escopos diferentes
A variação de 57% mencionada na propaganda corresponde a um levantamento da Fipe sobre os preços de alimentos na cidade de São Paulo ao longo dos quatro anos da gestão Bolsonaro. O número registra uma alta relevante, mas não equivale à inflação oficial de alimentos em todo o Brasil, medida principalmente pelo IPCA, do IBGE.
Os dados nacionais também mostram pressão forte sobre o orçamento das famílias. Pelo IPCA, alimentação e bebidas subiram 6,37% em 2019, 14,09% em 2020, 7,94% em 2021 e 11,64% em 2022. Em 2020, primeiro ano da pandemia de covid-19, o arroz teve alta de 76,01%, enquanto o óleo de soja avançou 103,79%.
Pandemia e guerra pressionaram as cadeias globais
A elevação dos preços não teve uma causa única. O período foi marcado por mudanças no consumo, gargalos na produção e no transporte, aumento de commodities e desequilíbrios entre oferta e demanda. O Banco Central destacou que essas pressões também foram observadas em outros países durante a pandemia.
A partir de 2022, a guerra na Ucrânia agravou o cenário internacional. Rússia e Ucrânia têm participação importante nos mercados de trigo, milho e fertilizantes, e o aumento dos custos energéticos e de insumos afetou cadeias produtivas no Brasil e no exterior.
No mesmo programa, Lula criticou a política econômica de Bolsonaro e afirmou que a redução de impostos beneficiou itens como jatinhos e jet skis. Também acusou o governo anterior de ampliar a presença estrangeira na distribuição de combustíveis e de não conter adequadamente o custo de vida.
Inflação alimentar também marcou o governo Lula
Os alimentos continuaram registrando variações relevantes nos anos seguintes. Pelo IPCA, alimentação e bebidas subiram 1,03% em 2023, 7,69% em 2024 e 2,95% em 2025. Em 2024, as carnes avançaram 20,84%, o café moído, 39,60%, e o leite longa vida, 18,83%.
Em 2026, alimentação e bebidas recuaram 0,67% em julho e 0,34% em agosto. Mesmo com essa desaceleração, o preço da cesta básica acumulava alta nas 27 capitais até agosto, com variações de 2,82% em Brasília a 12,29% em Porto Velho.
O episódio mostra que o custo dos alimentos segue sendo um ponto sensível para eleitores e famílias. A afirmação de Lula se apoia em um período de alta expressiva, mas a comparação política exige atenção: preços isolados, inflação de São Paulo e índices nacionais medem realidades diferentes, enquanto fatores externos e decisões internas ajudaram a formar o cenário de preços.
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