Lula chama 8 de Janeiro de “terrorismo de Estado” e cita plano contra autoridades
Durante evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, Lula associou os ataques de 8 de Janeiro às investigações sobre o plano Punhal Verde e Amarelo. Presidente também diferenciou terrorismo de Estado da atuação de facções e defendeu um modelo integrado de combate ao crime organizado.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira, 18 de setembro de 2026, que os ataques de 8 de Janeiro de 2023 devem ser tratados como “terrorismo de Estado” e interpretados como parte de uma tentativa de golpe. A declaração foi feita durante evento sobre segurança pública no Rio de Janeiro, quando Lula associou o episódio às investigações da Polícia Federal sobre o chamado plano Punhal Verde e Amarelo.
“Era o Bolsonaro pensando em matar Lula, Alckmin e até o Alexandre de Moraes. Esse era o plano”, disse o presidente. As apurações da Polícia Federal investigam a existência de um esquema que teria como alvo Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Os trabalhos seguem destinados a esclarecer responsabilidades, participação e extensão da suposta trama.
Distinção entre terrorismo e crime organizado
Lula também comentou a definição adotada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para facções criminosas que atuam no Brasil. Para o chefe do Executivo brasileiro, há uma diferença entre organizações voltadas à disputa pelo poder e grupos que exercem controle sobre territórios, rotas e atividades econômicas ilícitas.
A manifestação ocorre dois dias depois de a Casa Branca afirmar que o Brasil falhou no combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e ao Comando Vermelho (CV). O governo Lula rejeita a classificação das facções como organizações terroristas pelos Estados Unidos e avalia que a medida pode permitir ações unilaterais norte-americanas em território brasileiro.
Apesar de se opor ao enquadramento formal, Lula reconheceu que a violência praticada por essas organizações produz efeitos comparáveis ao terror entre moradores de áreas dominadas pelo crime. “Esses bandidos são terroristas para a família que mora no bairro”, afirmou. A distinção reforça o cuidado do governo em separar o conceito político mencionado no 8 de Janeiro do tratamento jurídico dado às facções.
Modelo integrado de segurança
Durante o evento no Rio, Lula apresentou como prioridade a integração entre polícias estaduais e federais, além da estrutura de segurança dos municípios. O presidente classificou a ação em curso no estado como um “plano piloto” e afirmou que o modelo poderá ser ampliado para outras regiões se apresentar resultados positivos.
Para o governo federal, a estratégia deve começar pelo sufocamento da logística e da mobilidade das organizações criminosas. Em seguida, pretende retomar territórios ocupados por facções e aumentar a capacidade dos municípios de atuar de forma coordenada. A proposta combina ações de inteligência, presença estatal e cooperação entre diferentes esferas de governo.
Lula voltou a defender a PEC da Segurança Pública como instrumento para organizar essa articulação. Na avaliação do presidente, a proposta precisa estabelecer com clareza as atribuições da União, dos estados e dos municípios, reduzindo sobreposições e permitindo resposta mais eficiente ao crime organizado. O tema deve permanecer no centro do debate político enquanto o governo busca construir apoio para a reforma.
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