Gilmar sugere afastamento de integrantes do TSE em caso de atuação politizada
Gilmar Mendes afirmou que o risco de politização da Justiça Eleitoral também pode vir de dentro do TSE e disse que magistrados envolvidos em proselitismo partidário devem avaliar a permanência na Corte. A declaração reacende o embate com André Mendonça após a quebra de sigilo de conversas envolvendo Alexandre de Moraes e Paulo Gonet.

Divulgação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou, em 19 de setembro de 2026, que integrantes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvidos em atuação politizada devem avaliar se têm condições de permanecer no cargo. A declaração indica que, para o decano da Corte, a ameaça à neutralidade da Justiça Eleitoral não vem apenas de pressões externas.
Risco apontado “de dentro” da Justiça Eleitoral
Em publicação no X, Gilmar escreveu que o risco mais grave é aquele que “vem de dentro”: a politização da Justiça Eleitoral. Segundo ele, quem tenta envolver o TSE em “proselitismo partidário” precisa refletir sobre sua permanência na instituição. O ministro também defendeu fiscalização rigorosa por partidos políticos e pelo Ministério Público Eleitoral, com a arguição de suspeição quando houver fundamento legal.
A proposta reforça a importância de mecanismos processuais para preservar a imparcialidade nas disputas eleitorais. Ao citar a suspeição, Gilmar указал um caminho institucional para questionar a atuação de magistrados, em vez de transferir o debate apenas para o campo político. A fala, porém, tende a ampliar a tensão já existente entre ministros das duas Cortes.
STF reafirma papel de supervisão
Gilmar também afirmou que o STF continuará funcionando como instância de supervisão do processo eleitoral e atuará quando considerar necessária a defesa de seus precedentes e da Constituição. A declaração mantém a linha de entendimento segundo a qual o Supremo pode revisar decisões da Justiça Eleitoral, especialmente em temas considerados relevantes para a ordem constitucional.
Fala reacende embate com André Mendonça
A manifestação ocorre poucos dias depois de Gilmar ter criticado André Mendonça, vice-presidente do TSE, durante uma sessão do STF e em publicação nas redes sociais. O decano chamou o ministro de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”, expressões relacionadas a um boneco inflável presente no ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, em São Paulo.
O conflito ganhou força após Mendonça levantar o sigilo de um relatório que continha conversas do ministro Alexandre de Moraes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, com Daniel Vorcaro. A decisão foi tomada às vésperas do feriado e passou a ser tratada como um dos pontos centrais do confronto político e institucional.
Mendonça nega uso do STF como palanque
Na avaliação de Gilmar, a quebra de sigilo teria envolvido o Supremo indevidamente na campanha eleitoral. Mendonça rebateu a acusação e afirmou que analisou um procedimento específico, com decisão fundamentada. Ele negou ter usado a Corte como “palanque” e sustentou a legalidade de sua atuação como ministro.
O episódio expõe uma disputa sensível sobre os limites entre investigação, publicidade processual e competição eleitoral. Em um ambiente de intensa polarização, a condução desses casos exige não apenas respaldo jurídico, mas também cuidado para preservar a confiança nas instituições e a percepção de neutralidade da Justiça Eleitoral.
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