Do gospel ao funk: jingles das eleições de 2026 ganham ritmos variados e Ia
Campanhas presidenciais, proporcionais e majoritárias diversificam os jingles eleitorais com funk, gospel, ritmos regionais, paródias e referências pop. A inteligência artificial também aparece na composição e na interpretação das músicas.

Divulgação
Os jingles das eleições de 2026 deixaram para trás a fórmula das marchinhas tradicionais e ganharam uma programação musical muito mais diversa. Campanhas à Presidência, aos governos estaduais e à Câmara dos Deputados apostam em gospel, funk, reggae, brega, pagodão baiano, música gaúcha e até trilhas de anime para apresentar candidatos, reforçar números e ampliar o alcance nas redes sociais.
Inteligência artificial entra na produção musical
A inteligência artificial passou a integrar o repertório das campanhas. Em alguns casos, a tecnologia é usada para criar a música. Em outros, há indícios de sua utilização na voz que interpreta o jingle. Paródias de sucessos conhecidos também aparecem como estratégia para tornar as peças mais familiares ao público e facilitar o compartilhamento digital.
Os resultados são variados. Algumas músicas ultrapassaram milhões de visualizações no Instagram, enquanto outras tiveram alcance mais limitado. Os números, porém, também refletem o tamanho das bases de seguidores de cada candidato e a capacidade de mobilização de seus apoiadores.
Presidenciáveis buscam públicos diferentes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, escolheu um jingle gospel para dialogar com o eleitorado evangélico. Intitulado Tapete Vermelho, o trabalho conta com a participação da primeira-dama Janja e do pastor e cantor Kleber Lucas. A composição, assinada por Lina Luz, destaca a trajetória de Lula, suas origens nordestinas e sua ascensão política.
Já o senador Flávio Bolsonaro, candidato ao Planalto, divulgou um vídeo produzido com inteligência artificial e trilha em ritmo de samba. A letra atribui ao ex-presidente Jair Bolsonaro a criação do Pix, tema que se tornou um dos elementos centrais da peça de campanha.
Funk, paródias e referências pop na Câmara
Nas candidaturas à Câmara dos Deputados, os estilos se multiplicam. Em São Paulo, Célio José de Morais, que usa o nome Lula do Bem, lançou um jingle produzido com inteligência artificial. A música alcançou 2,7 milhões de visualizações no Instagram, onde o candidato tem 97,7 mil seguidores.
Também em São Paulo, o vereador Lucas Pavanato apresentou um jingle de funk durante um ato de campanha realizado em 6 de setembro. Eduarda Campopiano, candidata à Assembleia Legislativa paulista, participou do evento. Em Minas Gerais, Dário 4e20 transformou Rap da Felicidade, de Cidinho e Doca, em uma paródia que defende a legalização da maconha. O vídeo somou 388 mil visualizações.
Em Santa Catarina, a deputada Júlia Zanatta recorreu a uma sonoridade gaúcha em seu jingle, que teve 327 mil visualizações no Instagram. Há indícios de uso de inteligência artificial na música. Já o goiano Valério Luiz apostou em uma referência de Neon Genesis Evangelion, anime japonês bastante popular. O conteúdo alcançou cerca de 5 mil visualizações entre Instagram e X.
Governadores valorizam ritmos regionais
Nas disputas aos governos estaduais, os candidatos exploram gêneros ligados à identidade local. No Ceará, Elmano de Freitas escolheu um jingle de reggae produzido com inteligência artificial. No Pará, Hana Ghassan optou pelo brega paraense, também com uso da tecnologia.
Em Pernambuco, Raquel Lyra transformou Espumas ao Vento, de Fagner, em uma paródia eleitoral com elementos da música popular nordestina. O vídeo chegou a 4,8 milhões de visualizações no Instagram. Na Bahia, ACM Neto levou o pagodão baiano para sua campanha com o jingle Dalê, que alcançou 3,5 milhões de visualizações.
Música continua sendo estratégia de campanha
A diversidade de ritmos mostra que o jingle continua relevante, mas precisa se adaptar à lógica das redes sociais. Mais do que apresentar o número do candidato, as músicas buscam criar identificação com públicos específicos, reforçar trajetórias políticas e estimular o compartilhamento espontâneo. Em 2026, gospel, funk, IA e referências regionais tornaram-se parte central dessa disputa pela atenção dos eleitores.
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