Relatório da ONU projeta aquecimento acima de 1,5°c, mas aponta caminho para conter o pico
Documento das Nações Unidas indica que o planeta deve ultrapassar 1,5°C de aquecimento por volta de 2030. Ainda assim, cortes rápidos nas emissões e remoção de carbono podem limitar o pico e reduzir a temperatura ainda neste século.

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Um relatório das Nações Unidas indica que o mundo provavelmente ultrapassará a meta de aquecimento global de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais por volta de 2030. O resultado representa um alerta para os esforços climáticos internacionais, mas não significa que a ação ambiental tenha perdido sua utilidade.
Ultrapassagem da meta deve ocorrer nesta década
A estimativa reforça que as emissões de gases de efeito estufa continuam altas e que as medidas adotadas pelos países não estão sendo aplicadas na velocidade necessária. Para nações insulares do Pacífico, especialmente aquelas ameaçadas pela elevação do nível do mar, cada fração adicional de aquecimento aumenta o risco de perdas territoriais, econômicas e humanas.
O presidente de Palau, Surangel Whipps Jr., destacou que os países mais vulneráveis não podem se limitar a pedir mais ambição. Para ele, será necessário um aumento urgente na vontade política e nos investimentos destinados à construção de um futuro com maior segurança climática.
Ainda é possível limitar o pico de aquecimento
O relatório aponta um caminho possível, embora cada vez mais estreito. Se os países reduzirem rapidamente o uso de combustíveis fósseis, cortarem outras fontes de emissões e ampliarem a remoção de carbono da atmosfera, o aquecimento poderá atingir um pico próximo de 1,8°C antes de voltar gradualmente a 1,5°C ou menos ainda neste século.
Esse cenário é conhecido como ultrapassagem temporária. Ele não elimina os danos já provocados pelo clima, mas pode evitar que o planeta se estabilize em uma faixa de aquecimento ainda mais perigosa. A diferença entre 1,5°C, 1,6°C e 1,8°C pode ser decisiva para ecossistemas, áreas agrícolas, cidades costeiras e populações mais pobres.
Cada fração de grau aumenta os riscos
O documento situa o alerta em um mundo já aproximadamente 1,4°C mais quente do que antes da Revolução Industrial. Secas prolongadas, incêndios florestais, derretimento de geleiras, oceanos mais quentes e eventos climáticos extremos mostram que os impactos já estão em curso.
O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu o compromisso de manter o aquecimento bem abaixo de 2°C e fazer esforços para limitá-lo a 1,5°C. A meta ganhou força especialmente pela atuação de pequenos Estados insulares, que argumentaram que o limite era essencial para a sobrevivência de suas comunidades.
Ultrapassar 1,5°C não encerra o Acordo de Paris
O relatório sustenta que a superação da meta não deve ser tratada como autorização para abandonar os compromissos climáticos. A expansão da energia solar, dos veículos elétricos e de outras tecnologias de baixo carbono já ajudou a evitar cenários mais graves, mas as emissões globais ainda precisam começar a cair de forma consistente.
Além de cortar emissões, será necessário remover gigatoneladas de dióxido de carbono da atmosfera. A restauração de florestas e ecossistemas pode contribuir para esse processo, enquanto soluções tecnológicas de captura e armazenamento de carbono ainda exigem testes, regulação e avaliação de riscos.
A principal conclusão é direta: ultrapassar 1,5°C tornará o cenário mais difícil, mas não torna irrelevante a ação climática. Quanto mais rápido os países reduzirem suas emissões e protegerem as populações vulneráveis, menores serão os danos e menores as chances de mudanças ambientais irreversíveis.
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