PF investiga fundos de previdência de 6 Estados com investimentos no Banco Master
A Polícia Federal já direcionou investigações a sete institutos de previdência de seis Estados que aplicaram recursos no Banco Master. O Rioprevidência concentra o caso de maior valor, com cerca de R$ 3 bilhões sob apuração.

Divulgação
A Polícia Federal já mirou sete institutos de previdência que realizaram aplicações no Banco Master. Os fundos investigados pertencem a seis Estados: Rio de Janeiro, Amapá, Alagoas, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Pernambuco. As apurações fazem parte dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, que investiga suspeitas de fraudes na instituição financeira liquidada pelo Banco Central.
Aplicações sem cobertura do FGC concentram riscos
Grande parte dos investimentos foi feita em letras de crédito sem cobertura do Fundo Garantidor de Crédito, o FGC. Esse tipo de aplicação é considerado mais arriscado porque não conta com a proteção oferecida pelo mecanismo em situações de quebra ou intervenção financeira. Em contrapartida, os entes públicos recebiam promessas de rentabilidade acima da média praticada pelo mercado.
A PF busca esclarecer as condições em que os gestores autorizaram as aplicações, a extensão dos riscos assumidos pelos fundos e eventuais irregularidades nas relações entre administradores públicos e o Banco Master. As investigações também avaliam o fluxo dos recursos e a responsabilidade de agentes públicos e privados envolvidos nas operações.
Rioprevidência concentra o maior volume sob apuração
O caso de maior impacto é o do Rioprevidência, fundo dos servidores públicos do Rio de Janeiro. A PF apura investimentos de aproximadamente R$ 3 bilhões no banco fundado por Daniel Vorcaro. O fundo já foi alvo de três ações, em diferentes fases das investigações.
A Operação Barco de Papel examinou aplicações de R$ 970 milhões em letras financeiras do Banco Master, realizadas entre outubro de 2023 e julho de 2024. O período corresponde à gestão do ex-governador Cláudio Castro, também alvo da primeira fase da operação. Posteriormente, a oitava fase da Compliance Zero passou a investigar outros R$ 2,01 bilhões aplicados em fundos de investimento do banco a partir de julho de 2024.
Investigações avançam no STF
A Compliance Zero foi autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília, em novembro de 2025. A primeira fase levou à prisão provisória de executivos ligados ao Banco Master. Depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados à prisão domiciliar.
O caso passou ao Supremo Tribunal Federal em dezembro de 2025. O ministro Dias Toffoli autorizou a segunda fase em janeiro de 2026 e deixou a relatoria em fevereiro. André Mendonça assumiu o processo, enquanto Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Ele está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e apresentou proposta de delação premiada, que ainda será analisada pelo STF.
Newsletter
Escolha seus assuntos favoritos e receba em primeira mão as notícias do dia.








