Dirigente de Ong com repasses federais lidera movimento pró-Lula
João Paulo Mehl, dirigente do Coletivo Soylocoporti e filiado ao PT, coordena o Movimento Cultura com Lula, que defende a reeleição do presidente sem integrar a campanha oficial. A ONG recebeu aproximadamente R$ 5,7 milhões de dois ministérios desde 2023, mas seus integrantes negam usar recursos públicos ou estrutura governamental na mobilização eleitoral.

Divulgação
João Paulo Mehl, filiado ao Partido dos Trabalhadores no Paraná e dirigente do Coletivo Soylocoporti, lidera o Movimento Cultura com Lula, mobilização que defende a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A iniciativa não integra a campanha oficial e seus canais não foram informados à Justiça Eleitoral como meios de divulgação do candidato.
Repasses federais geram atenção
Desde 2023, o Coletivo Soylocoporti recebeu aproximadamente R$ 5,7 milhões em repasses de dois ministérios. Segundo os registros citados no contexto da mobilização, cerca de R$ 3,4 milhões vieram do Ministério da Cultura e R$ 2,3 milhões do Ministério das Cidades.
O Ministério da Cultura selecionou a organização para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná, responsável por ações de formação e promoção cultural no estado. Os dirigentes do movimento afirmam que o dinheiro público foi destinado aos projetos para os quais a ONG foi selecionada e negam qualquer uso desses recursos nas atividades pró-Lula.
Agentes públicos participam em caráter pessoal
A mobilização também conta com a participação de agentes ligados ao Ministério da Cultura. Márcio Tavares, secretário-executivo da pasta, atua como coordenador-geral do movimento. Roberta Malvão, ex-coordenadora dos escritórios estaduais do ministério, também integra o grupo.
O Ministério da Cultura informou que seus servidores podem exercer atividade política individualmente, desde que respeitem a legislação eleitoral. A pasta negou utilizar estrutura, bens ou recursos do governo em ações político-eleitorais e afirmou ter orientado os agentes públicos sobre as regras aplicáveis.
Rede digital e campanhas voluntárias
O site do Movimento Cultura com Lula está registrado em nome de Mehl e de Michel Fonseca Ferreira, também integrante do Comitê de Cultura do Paraná. A página utiliza elementos da infraestrutura digital da Rede Livre, conjunto de sites, blogs e perfis alinhados ao governo que promove campanhas para arrecadar doações privadas.
Mehl afirma que a Rede Livre é um coletivo de ativistas dedicado à liberdade de expressão e à democratização do conhecimento. Segundo ele, o movimento é aberto, voluntário e não possui vínculo institucional com a campanha de Lula, com o governo federal ou com os projetos financiados por ministérios.
Janja participa de evento virtual
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, participou em 14 de setembro de 2026 de um encontro virtual organizado pelo movimento, acompanhado por mais de 21 mil visualizações. Durante a transmissão, participantes pediram votos para Lula, discutiram estratégias para alcançar eleitores indecisos e criticaram a família Bolsonaro.
Janja incentivou os apoiadores a conversar com parentes, vizinhos e colegas de trabalho que ainda não definiram seu voto. Ela afirmou que a disputa envolve o futuro da cultura, da saúde e da educação e alertou, segundo sua avaliação política, para possíveis retrocessos em caso de retorno da família Bolsonaro ao poder.
O que permite a legislação eleitoral
A Resolução 23.610 do Tribunal Superior Eleitoral, atualizada para as eleições de 2026, permite manifestações espontâneas em canais de pessoas físicas, inclusive quando organizadas de forma coordenada na internet. Essas páginas não precisam ser registradas como canais oficiais de campanha.
A mesma regra proíbe propaganda eleitoral, gratuita ou paga, em sites e perfis de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos. Por isso, a distinção entre atuação voluntária individual e utilização de estruturas institucionais é central para avaliar a conformidade da mobilização com a legislação eleitoral.
A campanha de Lula confirmou que o Movimento Cultura com Lula não faz parte de sua estrutura oficial. Os organizadores sustentam que a iniciativa nasce da atuação espontânea de apoiadores e rejeitam a associação entre os repasses recebidos pela ONG e a divulgação eleitoral coordenada por Mehl.
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