China se opõe a novas sanções dos EUA contra Rússia e Irã
Pequim rejeitou as novas medidas americanas e afirmou que pode adotar ações para defender seus interesses e empresas, em meio ao endurecimento das sanções contra Rússia e Irã.

Divulgação
A China manifestou, neste sábado (19), oposição às novas sanções impostas pelos Estados Unidos contra a Rússia e o Irã. O Ministério do Comércio chinês criticou especialmente o uso de sanções secundárias, mecanismo que permite a Washington pressionar países, empresas e pessoas que mantenham relações comerciais com nações já atingidas por restrições americanas.
Pequim promete defender seus interesses
Em comunicado, o governo chinês afirmou que se reserva o direito de adotar todas as medidas necessárias para proteger sua soberania, seus interesses de desenvolvimento e os direitos legítimos de suas empresas. A resposta foi direcionada à legislação aprovada pelos Estados Unidos na sexta-feira (18), que amplia os poderes do presidente americano para restringir o comércio com países envolvidos na compra de energia russa ou na tentativa de contornar sanções.
A China mantém uma relação comercial estratégica com a Rússia, especialmente na importação de petróleo e gás natural. Por isso, medidas que possam afetar transações energéticas ou alcançar empresas chinesas tendem a aumentar a tensão entre Pequim e Washington. O Ministério do Comércio reiterou que rejeita sanções unilaterais sem autorização das Nações Unidas ou respaldo no direito internacional.
Nova lei amplia tarifas comerciais
Pela legislação americana, o presidente dos Estados Unidos poderá aplicar tarifas de até 100% sobre produtos importados de países considerados grandes compradores de petróleo bruto ou gás natural russo. A medida também poderá atingir nações que facilitem de forma relevante a evasão das sanções relacionadas ao setor energético da Rússia.
O texto autoriza ainda tarifas de até 500% sobre produtos russos vendidos aos Estados Unidos. Foram previstas exceções para o urânio destinado a reatores nucleares americanos e para determinados isótopos usados na área médica. A legislação também prorroga por cinco anos a Lei de Sanções ao Irã, de 1996, mantendo sua vigência até 2031.
Medida chega antes de encontro entre líderes
A reação chinesa ocorre poucos dias antes da viagem do presidente Xi Jinping a Washington. O líder chinês deve se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 24 de setembro, na capital americana. Será o segundo encontro entre os dois chefes de Estado no ano.
O novo pacote de sanções pode ampliar os desafios para as negociações entre as duas maiores economias do mundo. Ao mesmo tempo em que busca aumentar a pressão sobre Rússia e Irã, os Estados Unidos precisarão administrar possíveis retaliações e os impactos sobre cadeias globais de energia, comércio e investimentos.
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