Dino cita possível ligação entre Pcc e filme “Dark Horse”
Flávio Dino retirou o sigilo das investigações sobre a cinebiografia de Jair Bolsonaro. A decisão menciona suspeitas de desvio de recursos públicos e possível envolvimento do PCC na operação.

Divulgação
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo das investigações sobre a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na decisão, Dino afirma que as apurações reforçam a hipótese de uma possível ligação entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e a estrutura responsável pela obra.
Investigação analisa destino de recursos públicos
Conforme o ministro, os elementos reunidos no inquérito indicam a possível existência de um esquema sofisticado de destinação e desvio de recursos públicos. As investigações examinam, em especial, o uso de emendas parlamentares federais e repasses relacionados à Prefeitura de São Paulo. As informações, no entanto, ainda integram uma fase investigativa e dependem de confirmação.
Dino determinou a liberação do material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo sobre a Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme. A medida amplia o acesso aos documentos e elementos coletados durante as diligências, permitindo maior transparência sobre os caminhos investigados pelas autoridades.
Polícia Federal apura possível desvio de emendas
Na quinta-feira (10 de setembro de 2026), o ministro autorizou uma operação da Polícia Federal para investigar se houve direcionamento irregular de emendas parlamentares para financiar a produção cinematográfica. Entre os alvos da ação estão o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e Karina Ferreira da Gama, proprietária da Go Up Entertainment.
Mario Frias é citado em suposta liderança do esquema
Na decisão que tornou os autos públicos, Dino destaca que o nome de Mario Frias aparece de forma reiterada no chamado itinerário delituoso. O ministro ressalva que, no plano hipotético da investigação, o parlamentar ocuparia uma suposta função de liderança na arquitetura do esquema. Frias ainda não foi condenado por qualquer crime relacionado ao caso.
O ministro também menciona pagamentos atribuídos a Frias em favor da produtora. Segundo a decisão, os valores seriam materialmente incompatíveis com os rendimentos declarados pelo deputado e com os créditos identificados em suas contas bancárias. A análise dessas movimentações fará parte da apuração sobre a origem e o destino dos recursos.
Investigados ainda não se manifestaram
Mario Frias e a Go Up Entertainment foram procurados para comentar as investigações, mas não responderam até a publicação desta reportagem. As suspeitas apresentadas por Dino não representam conclusão definitiva sobre responsabilidade criminal, cabendo às autoridades reunir provas e assegurar o direito de defesa dos envolvidos.
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