Crise no STF tem custo maior do que rombo do Banco Master, diz ministro do STJ
Luís Carlos Gambogi, ministro substituto do STJ, avaliou que os conflitos internos no Supremo prejudicam a imagem do Brasil e afastam investimentos estrangeiros. Ele defendeu o fortalecimento do Senado e criticou a escolha de representantes sem experiência pública.

Divulgação
A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) pode causar mais prejuízos ao Brasil do que o rombo provocado pelo caso do Banco Master, avaliou nesta quarta-feira (16 de setembro de 2026) Luís Carlos Gambogi, ministro substituto do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Para ele, as disputas internas na Corte transmitem uma imagem negativa ao exterior e reduzem o interesse de investidores estrangeiros.
Impacto além do prejuízo financeiro
Durante o Congresso Internacional de Direito Minerário, promovido pelo Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Gambogi afirmou que o mau funcionamento das instituições cobra um preço elevado do país. Na comparação feita pelo ministro, a perda de recursos que poderiam ser investidos no Brasil supera o dano financeiro associado ao Banco Master.
A avaliação foi apresentada em um momento de forte repercussão dos conflitos entre ministros do STF. Gambogi citou especialmente a sessão de terça-feira (15), marcada por troca de ofensas durante os trabalhos da Corte. Segundo ele, episódios desse tipo ganham visibilidade internacional e contribuem para a percepção de instabilidade institucional.
Insegurança jurídica afasta capital
Para o ministro do STJ, um investidor que acompanha disputas públicas na Suprema Corte pode passar a enxergar o Brasil como um ambiente menos seguro para aplicar recursos. A preocupação, segundo Gambogi, é que mudanças legislativas ou decisões imprevisíveis coloquem em risco projetos de longo prazo e o capital já comprometido.
Riscos para setores estratégicos
Ele usou como exemplo projetos de mineração de potássio, mineral considerado importante para a agricultura brasileira. Na avaliação do ministro, quem analisa investimentos nesse setor pode questionar a segurança do país ao observar uma Corte dividida e envolvida em confrontos públicos. O receio seria perder capital caso as regras mudem durante a execução dos projetos.
Fortalecimento do Senado
Ao comentar possíveis reformas no Judiciário, Gambogi defendeu o fortalecimento do Senado Federal. A Casa é responsável por sabatinar e aprovar os ministros indicados para os tribunais superiores, papel que, em sua avaliação, exige maior rigor e capacidade técnica dos parlamentares.
O ministro citou os Estados Unidos como exemplo de sistema no qual os indicados passam por investigações e sabatinas detalhadas. Segundo ele, o processo mais exigente ajuda a conferir maior legitimidade e transparência às nomeações para cargos relevantes na estrutura estatal.
Experiência pública como critério
Gambogi também defendeu que o Senado seja composto por pessoas com ampla experiência pública e conhecimento técnico. Ele criticou a eleição de candidatos baseados principalmente na popularidade e afirmou que a escolha de representantes sem preparo adequado pode comprometer decisões importantes desde o início do mandato.
A comparação entre a crise no STF e o rombo do Banco Master não foi acompanhada de cálculos pelo ministro. A declaração representa uma avaliação política e econômica sobre os efeitos da instabilidade institucional, especialmente sobre a confiança de investidores e a imagem internacional do Brasil.
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