Lula atribui a Flávio responsabilidade por indicação de Moraes, mas senador não votou
Presidente afirmou que Flávio Bolsonaro “deve ter votado” pela aprovação de Alexandre de Moraes no STF. Porém, em 2017, Flávio era deputado estadual e não integrava o Senado Federal.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) seria responsável pela aprovação de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal. A declaração foi feita nesta quarta-feira, 16 de setembro de 2026, durante entrevista ao podcast Desce a Letra Show.
Flávio Bolsonaro não participou da votação
A afirmação de Lula, contudo, não corresponde à composição do Senado na época. Alexandre de Moraes foi indicado em 2017, quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual no Rio de Janeiro. Ele somente assumiu uma cadeira no Senado Federal em 2019, após ser eleito senador por São Paulo em 2018.
O nome de Moraes foi encaminhado ao Senado por Michel Temer em 6 de fevereiro de 2017. A indicação recebeu 55 votos favoráveis, 13 contrários e teve 13 abstenções ou ausências. Flávio Bolsonaro, portanto, não participou da deliberação.
Lula diz que adversário “deve ter votado”
Ao comentar o episódio, Lula tentou transferir a Flávio a responsabilidade política pela chegada do ministro ao STF. “Eu não era presidente quando o Alexandre de Moraes foi indicado para ministro da Suprema Corte. Ele era senador. Ele deve ter votado, né? No Alexandre de Moraes”, disse.
O presidente também citou as indicações de Kassio Nunes Marques e André Mendonça, feitas durante o governo de Jair Bolsonaro. Lula sustentou que Flávio teria participado dessas escolhas e afirmou: “Portanto, ele é o culpado, não eu”. A expressão “deve ter votado”, usada no caso de Moraes, não confirma a participação do senador, que não fazia parte do plenário responsável pela aprovação.
Moraes assumiu vaga deixada por Teori Zavascki
Após a aprovação, Alexandre de Moraes tomou posse em 22 de março de 2017. Ele ocupou a cadeira deixada pela ministra Teori Zavascki, morta em janeiro daquele ano em um acidente de avião em Paraty, no litoral do Rio de Janeiro.
A declaração reacende um debate político sobre indicações ao STF e sobre a responsabilidade dos governos e senadores que aprovaram os nomes. No caso específico de Moraes, os registros institucionais mostram que Flávio Bolsonaro não estava entre os parlamentares aptos a votar, pois exercia mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
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