Coaf registra envio de R$ 700 mil de presidente da Febraban a empresa ligada a Vorcaro
Relatório do Coaf identificou uma TED enviada por Isaac Sidney à Super Empreendimentos, empresa relacionada a Daniel Vorcaro e ao cunhado dele. Sidney afirma que a operação foi regular, declarada no Imposto de Renda e não tem relação com a liquidação do Banco Master.

Divulgação
Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) registrou o envio de R$ 700 mil por Isaac Sidney, presidente da Febraban, para uma empresa ligada a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e a Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro.
Transferência foi identificada no fluxo da empresa
Segundo o documento, a transferência foi realizada por TED em 8 de junho de 2022, um dia após a abertura da conta da Super Empreendimentos e Participações S. A. na unidade de Formiga, em Minas Gerais, da cooperativa Sicoob Credifor.
Zettel foi diretor da companhia, que atua no setor imobiliário e adquiriu propriedades avaliadas em R$ 300 milhões. Entre os imóveis está um triplex de R$ 38 milhões onde Daniel Vorcaro residia. O crédito enviado por Sidney representou parte dos R$ 9,9 milhões movimentados pela conta da empresa naquele mês.
O relatório também apontou outros R$ 9,2 milhões enviados por Zettel em cinco operações por TED e Pix. No mesmo período, a conta registrou R$ 9,8 milhões em débitos, concentrados principalmente em empresas do setor imobiliário.
Isaac Sidney defende regularidade da operação
Procurado, Isaac Sidney afirmou que os R$ 700 mil foram pagos pela aquisição de direitos creditórios. Segundo ele, a negociação foi privada, regular e realizada integralmente com recursos próprios de origem lícita, disponíveis em sua conta bancária pessoal.
O presidente da Febraban informou que a operação foi registrada em sua declaração do Imposto de Renda. Ele negou ter feito aportes na Super Empreendimentos ou recebido qualquer valor da empresa, distinguindo o pagamento por um ativo de uma aplicação financeira ou entrada de recursos.
Sidney também rejeitou qualquer relação entre a transferência e a liquidação do Banco Master, ocorrida ao fim de 2025. Em sua avaliação, a comunicação ao Coaf não foi motivada por seu CPF, mas por apontamentos vinculados à conta do CNPJ da empresa que recebeu o valor.
A identificação de uma movimentação pelo Coaf não representa, por si só, prova de irregularidade. O conselho monitora operações financeiras que podem apresentar características incomuns, enquanto a apuração dos fatos e a eventual responsabilização dependem de análise das autoridades competentes.
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