Bndes prevê até R$ 34 bilhões para financiar 1º leilão de baterias
BNDES calcula contar com até R$ 34 bilhões em linhas incentivadas para apoiar projetos do 1º leilão brasileiro de armazenamento por baterias. Banco avalia que Fundo Clima será a principal fonte, mas limites e porte das carteiras exigirão recursos adicionais.

Divulgação
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) estima ter até R$ 34 bilhões disponíveis em linhas incentivadas para financiar projetos do 1º leilão brasileiro de sistemas de armazenamento de energia por baterias. A previsão, porém, não significa que o banco conseguirá atender sozinho a demanda dos empreendimentos interessados na disputa, marcada para dezembro de 2026.
Fundo Clima deve concentrar os recursos
A estimativa considera, em caráter preliminar, verbas do Fundo Clima e do BNDES Mais Inovação. Alexandre Siciliano Esposito, chefe do Departamento de Transição Energética e Clima do BNDES, avalia que o Fundo Clima deve ser o principal instrumento de financiamento dos chamados BESS, sigla em inglês para sistemas de armazenamento de energia por baterias. O volume efetivamente disponível deverá ficar mais claro ao longo de 2026, conforme avançarem as discussões sobre o Orçamento de 2027.
O BNDES Mais Inovação também poderá apoiar iniciativas ligadas à tecnologia, inovação e digitalização, mas dispõe de orçamento menor. Por isso, a estruturação financeira dos projetos dependerá principalmente da capacidade de uso do Fundo Clima e da combinação com outras modalidades de crédito e investimento.
Limite de financiamento exige novas fontes
Uma das principais restrições é o teto do Fundo Clima, limitado a R$ 1 bilhão por grupo econômico a cada período de 12 meses. Esposito informou que empresas analisam carteiras de projetos que somam bilhões de reais, valor que pode ultrapassar a capacidade de financiamento de uma única linha do banco.
Para viabilizar os empreendimentos, os investidores deverão montar operações com múltiplas fontes de recursos. Entre as alternativas estão capital próprio, emissão de debêntures, financiamento de bancos multilaterais e outras soluções de mercado. Essa combinação permitirá adequar o crédito disponível ao porte dos portfólios apresentados no leilão.
Produção nacional terá disputa específica
O BNDES também acompanha o interesse de fabricantes em instalar ou ampliar no Brasil a produção de equipamentos para sistemas de armazenamento. WEG, Moura, You.On, TBEA, Gotion, Trina e BYD manifestaram compromisso de fabricar localmente componentes ou sistemas destinados aos projetos. Ainda assim, as empresas precisarão cumprir etapas técnicas e comprovar que atendem às exigências de conteúdo nacional.
A reserva de uma disputa específica para sistemas com participação nacional busca estimular a formação de uma cadeia produtiva no país. Se confirmada a demanda, o movimento pode atrair investimentos industriais, gerar empregos qualificados e reduzir a dependência de equipamentos importados.
Leilão reúne potencial superior a 296 GW
Foram cadastrados projetos com potência total superior a 296 GW, mas o número não representa a capacidade efetivamente contratada. Antes da disputa, os empreendimentos precisarão passar por análises e etapas de habilitação técnica, que poderão reduzir significativamente o volume final apto a participar.
As baterias ganham importância à medida que fontes solar e eólica ampliam sua participação na matriz elétrica. Como a geração dessas fontes varia conforme o clima e o horário, os sistemas de armazenamento podem guardar energia nos períodos de maior produção e entregá-la ao sistema quando houver aumento da demanda. O leilão deve indicar o tamanho real do mercado e o nível de investimento necessário para consolidar a tecnologia no Brasil.
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