Baixa aprovação de Trump ameaça republicanos nas eleições de meio mandato
Com apenas 33% de aprovação, Donald Trump chega às eleições de meio mandato com um dos piores índices registrados por presidentes dos Estados Unidos nesse momento do ciclo político. Inflação, combustíveis caros e insatisfação com a guerra contra o Irã aumentam o risco de perdas republicanas no Congresso.

Divulgação
A baixa aprovação de Donald Trump coloca os republicanos na defensiva às vésperas das eleições de meio mandato, marcadas para 3 de novembro. Um levantamento Ipsos divulgado em 24 de agosto apontou aprovação de apenas 33% para o presidente, índice que amplia a preocupação do partido com a disputa por cadeiras na Câmara dos Representantes e no Senado.
Histórico aponta risco para o partido do presidente
O desempenho pessoal do ocupante da Casa Branca costuma influenciar diretamente o resultado das midterms. Historicamente, o partido do presidente tende a perder espaço no Congresso nesse tipo de eleição, principalmente quando a avaliação da administração federal está deteriorada ou quando temas econômicos dominam a campanha.
Desde 2002, a principal exceção ocorreu durante o primeiro mandato de George W. Bush. Os republicanos se beneficiaram da aprovação de 66% alcançada pelo presidente após os ataques de 11 de setembro de 2001. A prioridade dada à segurança nacional e à resposta contra o terrorismo alterou o ambiente político e ajudou a sustentar o partido no poder.
Crise econômica impulsionou derrota democrata em 2010
Em sentido oposto, a administração de Barack Obama sofreu uma pesada derrota nas eleições de meio mandato de 2010. Embora o presidente mantivesse 45% de aprovação, os efeitos da crise financeira de 2008, o aumento do desemprego e a recuperação econômica lenta criaram um cenário favorável à oposição.
A taxa de desemprego chegou a 9,9% em abril daquele ano. Meses depois, os democratas perderam 63 cadeiras na Câmara e seis no Senado. O movimento Tea Party ganhou força ao defender redução de gastos, cortes de impostos e menor intervenção do governo federal na economia, levando esses temas para o centro do debate eleitoral.
Inflação e guerra pressionam os republicanos
Para os republicanos em 2026, a combinação de baixa aprovação, inflação elevada e insatisfação com a guerra contra o Irã representa o principal risco. Iniciado em 28 de fevereiro, o conflito no Oriente Médio contribuiu para a alta dos combustíveis e aumentou a pressão sobre produtos básicos consumidos pelas famílias.
O fechamento do estreito de Ormuz agravou a tensão no mercado de petróleo e elevou ainda mais a exposição do governo ao descontentamento dos consumidores. A inflação nos Estados Unidos passa a avançar no ritmo mais acelerado dos últimos três anos, tornando a economia um fator potencialmente decisivo em distritos competitivos.
Trump já afirmou que “ama a inflação” e disse que os preços recuariam com o fim da guerra contra o Irã. Desde julho, o presidente também passou a pressionar postos de combustíveis para reduzir imediatamente os valores praticados, numa tentativa de conter a insatisfação popular antes da votação.
A baixa aprovação não determina isoladamente o resultado das midterms, mas pode ampliar o desgaste de candidatos republicanos em estados e distritos onde a economia terá peso decisivo. Se o sentimento negativo contra a administração Trump se confirmar nas urnas, o partido pode perder cadeiras nas duas casas do Congresso e enfrentar uma nova divisão de forças em Washington.
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