Argentina: estudantes e professores protestam contra cortes de Milei na educação
Milhares de estudantes e professores foram às ruas na Argentina em mais uma grande manifestação contra as políticas do presidente Javier Milei, especificamente os cortes orçamentários na educação universitária. O movimento exige o cumprimento de uma lei de financiamento e também critica a flexibilização da venda de terras a estrangeiros, escalando a tensão social no país.

Divulgação
Uma vasta mobilização reuniu milhares de estudantes e professores em toda a Argentina, marcando mais um capítulo da crescente oposição às políticas do presidente Javier Milei. As manifestações, que tomaram as ruas em diversas cidades, foram um grito contra os severos cortes orçamentários aplicados à educação universitária, uma medida que, segundo os manifestantes, compromete o futuro acadêmico do país e a qualidade do ensino.
O embate pelo financiamento universitário
No centro da controvérsia está a Lei de Financiamento Universitário, aprovada em 2025 após o Congresso Nacional derrubar um veto presidencial. Esta legislação crucial visa garantir a recomposição de bolsas de estudo e a atualização dos salários dos docentes, ambos duramente impactados por uma redução real de 40,5% no orçamento universitário apenas no primeiro semestre de 2026. A Universidade de Buenos Aires (UBA), uma das mais prestigiadas instituições do país, tem sido vocal sobre os prejuízos causados por essa retração.
Apesar das decisões da Suprema Corte determinando a liberação dos repasses, o governo argentino tem mantido os pagamentos suspensos. A justificativa apresentada pelo Executivo reside em um recurso na Justiça e na alegação de ausência de indicação clara sobre a fonte dos recursos, criando um impasse que agrava a crise financeira das instituições de ensino superior e intensifica a insatisfação entre a comunidade acadêmica.
Tensão nas ruas e ampliação do protesto
Em Buenos Aires, a principal manifestação em frente ao Congresso Nacional ganhou contornos de confronto. O protesto, que havia começado de forma pacífica, degenerou com a chegada de um grupo de pessoas encapuzadas, resultando em arremesso de pedras por parte de alguns manifestantes e o uso de gás lacrimogêneo e jatos d’água pela polícia para dispersar a multidão. Esse incidente sublinha a escalada da tensão e a polarização que marcam a cena política argentina sob a gestão de Milei.
Esta onda de protestos é a quinta de grande porte desde o início do mandato do presidente, indicando um cenário de contínua e forte resistência popular. A mobilização transcendeu as fronteiras da educação, atraindo também sindicatos, partidos de oposição e aposentados. Esses grupos aproveitaram a ocasião para se manifestar simultaneamente contra outras medidas governamentais, como o decreto que flexibiliza a venda de terras a estrangeiros, uma pauta que gera preocupação sobre a soberania nacional e o controle dos recursos naturais do país.
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