Trabalho de catalogação das ruínas de São José da Boa Morte é apresentado no Museu D. João Vi
Pesquisadores apresentaram a catalogação de cerca de 200 vestígios encontrados durante as obras de consolidação da Igreja de São José da Boa Morte, em Cachoeiras de Macacu, no Rio de Janeiro. O trabalho reforça o valor da cultura material para a reconstrução da história e a preservação do patrimônio.

Divulgação
A pesquisa, a catalogação e a formação de acervo realizadas durante as obras de consolidação das Ruínas da Igreja de São José da Boa Morte foram apresentadas no XVII Seminário do Museu D. João VI. O encontro ocorreu na Fundação Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, e reuniu debates sobre acervos, coleções e os desafios relacionados à preservação da memória.
Vestígios transformados em acervo documental
Coordenada pela historiadora Rachel Wider, da Elysium Sociedade Cultural, a apresentação abordou a trajetória da antiga capela, desde sua construção até o processo que resultou em seu estado de ruína. O principal destaque, porém, foi o levantamento de aproximadamente 200 vestígios, incluindo materiais construtivos e outros elementos associados à história do local e da comunidade de São José.
A catalogação permite organizar informações essenciais sobre origem, características e possível utilização desses objetos. Transformados em acervo, os vestígios deixam de ser apenas fragmentos isolados e passam a compor um conjunto documental capaz de orientar novas pesquisas sobre técnicas construtivas, ocupação do território e manifestações religiosas e culturais da região de Cachoeiras de Macacu.
Cultura material como fonte de conhecimento
O trabalho desenvolvido durante as intervenções nas ruínas reforça a importância da cultura material para a compreensão da história. Objetos, pedras, argamassas e demais elementos preservados no sítio oferecem evidências concretas que complementam registros escritos, fotografias e relatos, ajudando a reconstruir diferentes fases da ocupação e da transformação do espaço.
Durante o seminário, Rachel Wider destacou que a recepção do projeto em espaços de discussão demonstra o interesse crescente do público por iniciativas de preservação patrimonial. Para a historiadora, a mobilização em torno das ruínas mostra que a cultura material pode contribuir de forma direta para a produção de conhecimento e para a valorização da memória coletiva.
Consolidação concluída amplia proteção do patrimônio
A participação no XVII Seminário do Museu D. João VI ocorre após a conclusão das obras de consolidação das ruínas. O projeto foi executado pela Elysium Sociedade Cultural em parceria com a Prefeitura de Cachoeiras de Macacu, com patrocínio da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), e buscou estabilizar a estrutura sem descaracterizar os vestígios históricos.
A organização do encontro ficou a cargo do grupo Entresséculos, vinculado à Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao incluir o caso de São José da Boa Morte na programação, o seminário evidenciou como intervenções técnicas bem conduzidas podem integrar preservação física, pesquisa histórica e formação de acervo.
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