PF aponta indícios de acompanhamento de pauta do Banco Master por Jaques Wagner
Relatório da Polícia Federal afirma que o senador Jaques Wagner acompanhou diretamente temas de interesse do Banco Master no Senado. Entre os pontos investigados estão a chamada “emenda Master”, comunicações com empresários do grupo e possíveis vantagens econômicas.

Divulgação
A Polícia Federal (PF) apontou em relatório que o senador Jaques Wagner (PT-BA) acompanhou diretamente matérias de interesse do Banco Master no Senado. As informações foram divulgadas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o levantamento do sigilo da investigação sobre o petista, na noite de sexta-feira (11/9).
Tratativas antes da apresentação da emenda
O documento destaca diálogos entre Wagner, então líder do governo no Senado, e o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro. Para os investigadores, as mensagens indicam envolvimento do senador na chamada “emenda Master”, apresentada por Ciro Nogueira (PP-PI) à proposta sobre autonomia financeira do Banco Central.
A medida previa ampliar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) por pessoa física. Seis dias antes da inclusão do texto, o publicitário Guilherme Sodré, amigo e pai do enteado de Wagner, procurou Vorcaro para tratar de um “tema importante”, com urgência e sob sigilo. Depois de uma ligação, informou que o chefe de gabinete do senador entraria em contato para organizar um encontro em Brasília. Na véspera da apresentação da proposta, Sodré enviou a Vorcaro o número pessoal de Wagner com a mensagem “boa sorte”.
No dia 13 de agosto de 2024, quando a emenda foi apresentada, Augusto Lima telefonou para Jaques Wagner. A ligação durou 9 minutos e 19 segundos. Logo depois, o empresário encaminhou ao senador o link da proposta. Duas semanas mais tarde, Lima esteve no gabinete de Wagner e voltou a enviar o texto após o encontro.
PF vê padrão de acompanhamento legislativo
Para a Polícia Federal, a sequência de contatos revela, “em juízo indiciário”, um padrão de acompanhamento direto, por Wagner, de uma pauta legislativa de interesse do Banco Master. O relatório também registra o envio recorrente de notícias e informações sobre o banco ao petista.
Os investigadores destacam uma mensagem enviada em 29 de março de 2025. Ao explicar os termos da operação de venda do Banco Master ao BRB e afirmar que o grupo permaneceria no controle, Lima escreveu que Wagner conhecia sua história e fazia parte dela. A PF interpreta a frase como indicativo de que o senador não seria apenas um destinatário passivo de informações, mas um parceiro consciente da trajetória do banco e das operações associadas.
O relatório também cita possíveis vantagens econômicas recebidas pelo senador. Entre os benefícios investigados estão o uso gratuito de aeronaves vinculadas a Augusto Lima e ao banco, ingressos para shows destinados a Wagner e familiares, articulações para a compra de um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses de ao menos R$ 3,5 milhões à BN Financeira, empresa ligada à família do parlamentar.
O relatório da PF não representa condenação. As acusações ainda estão sujeitas à apuração, ao contraditório e à avaliação do Poder Judiciário. A quebra de sigilo, no entanto, amplia o acesso público aos elementos reunidos na investigação e aumenta o escrutínio político sobre a atuação de Wagner no Senado.
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