Lula defende Cnbb e critica Flávio Bolsonaro por declarações sobre Nossa Senhora Aparecida
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma nota oficial repudiando as declarações do senador Flávio Bolsonaro sobre a controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida. Lula manifestou solidariedade à CNBB e à Igreja Católica, afirmando que ataques a uma crença atingem todas as religiões e que é inaceitável o uso de temas religiosos para fins eleitorais.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veio a público nesta terça-feira (29 de setembro de 2026) para manifestar solidariedade à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e à Igreja Católica, ao mesmo tempo em que criticou as declarações do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Em uma nota oficial, divulgada no início da propaganda eleitoral na televisão, o chefe do Executivo repudiou o que classificou como "ataques" a uma crença religiosa, afirmando que tal postura, quando adotada por um político, atinge a todas as religiões indistintamente.
Críticas a interesses eleitoreiros
Na publicação, Lula considerou "inaceitável" que um candidato utilize o desrespeito a religiosos para fins eleitorais. A manifestação presidencial reiterou a defesa dos bispos e dos devotos da padroeira do Brasil, enfatizando a diversidade religiosa do país e o respeito que deve permear as relações. "Quando um político ataca uma religião, todas as religiões são atacadas também", destacou o presidente em sua nota, reforçando a ideia de que a fé é um pilar fundamental da sociedade brasileira, que deve ser preservado de disputas políticas.
A polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
A posição de Lula surge em resposta a declarações de Flávio Bolsonaro, que, em um evento no domingo (27 de setembro), sugeriu que o Partido dos Trabalhadores (PT) teria utilizado a CNBB para disseminar uma "fake news". Segundo o senador, a informação falsa em questão seria a de que ele teria a intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil. A CNBB, por sua vez, rebateu a acusação em nota própria, salientando que "a mentira não se combate com outra mentira" e refutando qualquer participação na propagação de desinformação. Flávio Bolsonaro reiterou, em 28 de setembro, que o episódio era "a maior fake news dessa campanha", atribuindo a amplificação do conteúdo ao PT.
Decisão do TSE e o desenrolar do caso
A controvérsia religiosa já havia mobilizado a Justiça Eleitoral. Em 25 de setembro, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de publicações nas redes sociais que atribuíam a Flávio ou à sua família o plano de retirar o título da padroeira. Mendonça classificou a afirmação como "notoriamente inverídica" em sua decisão provisória. O caso ganhou contornos mais amplos após uma fala da jornalista Maria Cristina Fernandes em um programa de televisão, que, embora corrigida pela emissora, gerou repercussão nas redes sociais, associando o senador a uma proposta de lei arquivada em 2008, que não tinha relação direta com a retirada do título, mas sim com a modificação da expressão legal.
Engajamento do casal presidencial
Desde o início do episódio, o presidente Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva têm se posicionado sobre o tema, demonstrando um engajamento ativo na defesa da imagem da santa. Janja, por exemplo, publicou em 25 de setembro uma fotografia de Lula segurando uma imagem da padroeira. Dois dias depois, em 27 de setembro, Lula abordou a questão em entrevista a um canal de televisão, afirmando que "esse negócio de mexer com a Nossa Senhora Aparecida não é aceitável". No dia 28, a primeira-dama novamente destacou a padroeira, usando uma medalha em um evento no Planalto e mencionando-a durante um ato de campanha em Belém, evidenciando a importância do tema na agenda política do governo.
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