Henrique Tibúrcio diz que STF seguirá desgastado após sessão sobre Alexandre de Moraes
Após sessão sem decisão sobre eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-presidente da OAB-GO critica o rito, o pedido de vista de Flávio Dino e a participação do ministro no debate processual. Para ele, o impasse amplia a crise institucional do STF.

Divulgação
Sessão termina sem decisão sobre investigação
O advogado e ex-presidente da OAB-GO Henrique Tibúrcio avaliou que a sessão desta terça-feira (15) terminou sem uma decisão sobre a eventual abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. O impasse ocorreu em meio a debates sobre o rito do julgamento e a suposta relação do magistrado com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master. Para Tibúrcio, a indefinição deixa o caso sem resposta sobre o mérito e aumenta o desgaste do Supremo Tribunal Federal.
Críticas ao foco no procedimento
Na avaliação do advogado, as discussões sobre questões processuais impediram que o STF chegasse ao ponto central da controvérsia. Ele classificou as manobras regimentais como um obstáculo à análise das suspeitas e afirmou que a frustração da sessão tende a produzir reflexos políticos. Em sua leitura, o tribunal continuará enfrentando uma crise de confiança enquanto não enfrentar diretamente os fatos apresentados.
Pedido de vista gera questionamentos
Tibúrcio também criticou o pedido de vista apresentado por Flávio Dino, que interrompeu o julgamento após divergências entre ministros. Segundo ele, esse tipo de pedido normalmente serve para que um magistrado examine o processo com mais profundidade antes de votar. Na visão do ex-presidente da OAB-GO, a justificativa apresentada durante a sessão tornou o episódio incomum e expôs um nível de confronto que considerou incompatível com a imagem da Corte.
Participação de Alexandre de Moraes é questionada
Outro ponto levantado pelo advogado foi a participação de Alexandre de Moraes na votação da questão de ordem que tratou da tramitação do caso. Tibúrcio considera anormal que um potencial investigado vote sobre regras que podem influenciar a própria apuração. A crítica reforça o debate sobre imparcialidade e limites regimentais, embora o STF ainda precise deliberar sobre o encaminhamento do processo.
Divisões internas e efeitos políticos
Para Tibúrcio, a sessão evidenciou uma divisão entre os ministros. Ele citou Flávio Dino e Gilmar Mendes como nomes que atuaram de forma incisiva no debate regimental e processual, enquanto a proposta apresentada por André Mendonça encontrou resistência. O advogado entende que o embate pode ampliar os efeitos políticos da crise e que novas mensagens ou conversas envolvendo Vorcaro e integrantes da Corte podem tornar o cenário ainda mais complexo.
Próximos passos permanecem indefinidos
Ainda não há previsão de quando o plenário retomará o tema nem de como será votada a eventual investigação. Para Tibúrcio, a demora pode aprofundar a crise de confiança no tribunal. Ele sustenta que o STF precisa enfrentar o mérito das suspeitas com transparência, mas reconhece que as disputas internas e o ambiente político tornam o desfecho imprevisível.
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