Anvisa suspende ensaios clínicos da Novartis com terapia celular experimental após mortes
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão de três ensaios clínicos conduzidos pela farmacêutica Novartis. A medida se aplica a uma terapia celular experimental, o rapcabtagene autoleucel, desenvolvida para tratar doenças autoimunes, e foi motivada por razões de segurança, após o registro de três mortes entre os participantes dos estudos.

Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou uma resolução que determina a suspensão imediata de três ensaios clínicos da farmacêutica Novartis no Brasil. Os estudos, que envolviam o rapcabtagene autoleucel — conhecido também como rap-cel ou YTB323 —, uma terapia celular experimental para doenças autoimunes, foram interrompidos por motivos de segurança após a morte de três participantes. A decisão, publicada nesta terça-feira no Diário Oficial da União, reforça o rigor das autoridades regulatórias frente a tratamentos inovadores.
A própria Novartis já havia anunciado uma pausa temporária no recrutamento e tratamento de pacientes no início deste mês, em resposta aos óbitos. Na ocasião, a empresa informou que estava conduzindo uma análise de segurança aprofundada dos ensaios. Os pacientes falecidos apresentaram reações graves associadas à síndrome hemofagocítica associada a células efetoras imunes (IEC-HS), uma condição que a farmacêutica reconhece como um efeito colateral conhecido das terapias com células CAR-T, com potencial para complicações fatais.
Os desafios das terapias avançadas
O rapcabtagene autoleucel faz parte de uma linha de pesquisa que visa expandir o uso de terapias com células CAR-T, já empregadas com sucesso no tratamento de alguns tipos de câncer, para o combate a doenças autoimunes. Essa abordagem revolucionária envolve a modificação das próprias células do paciente para que elas atuem de forma direcionada sobre o sistema imunológico. No entanto, a aplicação dessas terapias em condições autoimunes ainda está em estágio de investigação e enfrenta o desafio de balancear a alta promessa terapêutica com os riscos de segurança, como demonstrado pelos recentes eventos adversos.
Doenças-alvo e o futuro da pesquisa
Os ensaios suspensos pela Anvisa tinham como objetivo avaliar a eficácia e a segurança do rap-cel em pacientes com condições autoimunes graves e refratárias. Um dos estudos focava em participantes com granulomatose com poliangeíte (GPA) ou poliangeíte microscópica (MPA) ativa grave. Outro era direcionado a indivíduos com lúpus eritematoso sistêmico (LES) refratário ativo ou nefrite lúpica refratária ativa. O terceiro ensaio, de fase 2, testava o tratamento em pessoas com esclerose sistêmica cutânea difusa refratária grave, comparando o medicamento experimental com o rituximabe, com um acompanhamento previsto por cinco anos. A interrupção desses estudos sublinha a constante avaliação de riscos e benefícios intrínseca ao desenvolvimento de terapias de ponta, essenciais para garantir a segurança dos pacientes enquanto se busca avanços na medicina.
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