A escolha de um jovem começa antes do vestibular
A decisão sobre o futuro profissional é influenciada por condições acumuladas desde a infância, como qualidade do ensino, renda familiar e acesso à cultura. No Brasil, milhões de jovens seguem sem estudar, trabalhar ou se qualificar.

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Desigualdades começam antes da escolha profissional
A decisão sobre o futuro de um jovem não começa no momento da inscrição para o vestibular. Ela é formada ao longo de anos, influenciada pela qualidade da escola, pelo acesso à cultura, pelas referências profissionais, pelo apoio da família e pela possibilidade de estudar sem abrir mão da renda ou das responsabilidades domésticas.
Nas periferias e em regiões com menos infraestrutura, esse percurso costuma ser mais difícil. Muitos estudantes enfrentam escolas com recursos limitados, deslocamentos longos, falta de acesso a atividades extracurriculares e necessidade de conciliar os estudos com o trabalho. Essas condições não determinam o potencial de ninguém, mas reduzem oportunidades e tornam algumas escolhas praticamente inalcançáveis.
Mais de 8 milhões de jovens estão fora da formação
Os números evidenciam essa distância. Em 2025, o Brasil tinha 46,6 milhões de jovens de 15 a 29 anos. Desse total, 8,2 milhões, ou 17,5%, não trabalhavam, não estudavam no ensino regular e não frequentavam cursos de qualificação profissional, segundo dados do IBGE.
O percentual é menor do que os 22,4% registrados em 2019, mas ainda representa uma parcela expressiva de jovens afastados da formação e da inserção no mercado de trabalho. A redução mostra que avanços são possíveis, embora o país continue distante de oferecer condições semelhantes para que todos construam seus projetos profissionais.
Faculdade continua importante, mas não é o único caminho
A graduação ainda pode ampliar oportunidades, especialmente quando oferece formação de qualidade, conexão com o mercado e acesso a redes profissionais. No entanto, a pergunta sobre se a faculdade vale a pena precisa considerar a realidade de cada jovem. Para alguns, ela é uma opção entre várias. Para outros, permanece distante por causa de barreiras econômicas, geográficas e sociais.
Reconhecer essas desigualdades não significa tratar a universidade como o único caminho. Ensino técnico, formação profissionalizante, empreendedorismo, arte, cultura e experiências fora da escola também podem construir trajetórias sólidas. O essencial é que o jovem tenha informações, preparação e condições reais para escolher, sem que sua origem defina o tamanho de seu futuro.
Educação precisa ampliar possibilidades
Investir na juventude exige mais do que cobrar decisões individuais. É necessário melhorar a educação básica, ampliar o acesso à tecnologia, aproximar estudantes de diferentes profissões e oferecer apoio para quem precisa trabalhar enquanto estuda. Políticas públicas, escolas, famílias e empresas têm papel nesse processo.
Educar não é apenas preparar alguém para obter um diploma ou conquistar um emprego. É apresentar caminhos, fortalecer a autonomia e permitir que cada jovem descubra suas capacidades. O desafio nacional é fazer com que todos cheguem ao momento da escolha com alternativas reais diante de si, e não com o futuro limitado pela falta de oportunidades.
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