Conexões Produtivas reúne lideranças para discutir o futuro da indústria em Goiás
Encontro realizado em Goiânia debateu competitividade, Indústria 4.0, financiamento ao comércio exterior e alternativas para ampliar mercados. Ministro destacou potencial goiano em minerais críticos, energia renovável, agronegócio e inteligência artificial.

Divulgação
A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e a ApexBrasil realizaram nesta quinta-feira (17), em Goiânia, mais uma edição do Conexões Produtivas. Sediado na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), o encontro reuniu empresários, entidades do setor produtivo, instituições financeiras e representantes do poder público para discutir os desafios da indústria e as oportunidades de crescimento em Goiás.
Goiás ganha espaço na indústria do futuro
A programação abordou acordos comerciais, a Nova Indústria Brasil, a difusão de tecnologias, soluções do BNDES para financiar o comércio exterior e os reflexos do acordo Mercosul-União Europeia. A proposta foi aproximar empresas goianas de instrumentos capazes de aumentar a competitividade, facilitar a internacionalização e inserir a produção estadual em cadeias de maior valor agregado.
O presidente da Fieg, André Rocha, destacou que Goiás reúne condições para ocupar posição central nesse processo. Entre os ativos citados estão a agroindústria, a mineração, os biocombustíveis, a energia limpa e renovável, a produção de minerais críticos e a estrutura voltada ao desenvolvimento de inteligência artificial. Rocha também apontou o potencial para atrair investimentos em data centers e ampliar a exportação de produtos industriais e do agronegócio.
Governo aposta na diversificação de mercados
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou que Goiás está entre os estados mais bem posicionados para a chamada Indústria 4.0. Segundo ele, a combinação entre infraestrutura produtiva, recursos naturais e capacidade tecnológica coloca o estado na vanguarda da transição em curso no setor industrial.
Márcio Elias também destacou as possibilidades abertas pelo acordo Mercosul-União Europeia. Ao apresentar dados recentes do fluxo comercial, informou crescimento de 40% nas exportações brasileiras para o bloco europeu em agosto. Goiás pode se beneficiar desse movimento com vendas de soja, carnes, minerais e outros produtos, embora o desafio seja aumentar a presença de manufaturados e itens com maior conteúdo tecnológico.
Tarifas dos EUA aceleram busca por novos parceiros
Em painel sobre os efeitos das tarifas impostas pelos Estados Unidos, o ministro defendeu a diversificação comercial como estratégia para reduzir a dependência de mercados específicos. Segundo Márcio Elias, a queda nas trocas comerciais com os americanos foi compensada pelo aumento das vendas a outros destinos, mas a substituição de parceiros exige planejamento e trabalho contínuo.
Ele destacou que 47% das exportações de Goiás têm como destino a China, enquanto os Estados Unidos respondem por aproximadamente 6,9%. Os números mostram a força do estado no comércio internacional, mas também revelam a necessidade de ampliar a presença em outras regiões e reduzir vulnerabilidades diante de mudanças na política comercial global.
Medidas buscam proteger empresas e empregos
O governo federal apresentou programas de incentivo às empresas afetadas pelas tarifas americanas, incluindo linhas de crédito do Brasil Soberano. Márcio Elias informou que, entre 500 companhias monitoradas, nenhuma registrou redução no nível de emprego e 300 ampliaram o quadro em 0,4%, resultado apresentado como sinal de preservação da atividade produtiva.
A Lei da Reciprocidade, ainda em tramitação, foi citada como instrumento de defesa da soberania comercial brasileira. Para o ministro, a estratégia do país se apoia em três objetivos: diversificar mercados, amparar empresas impactadas e permanecer nas negociações internacionais sem abrir mão dos interesses nacionais.
Evento reforça integração entre indústria e governo
O Conexões Produtivas também contou com a participação do presidente da ABDI, Olavo Noleto, além de representantes do MDIC, da ApexBrasil, do BNDES e da Fieg. Ao reunir diagnóstico, financiamento e instrumentos de promoção comercial, o encontro reforçou a tentativa de transformar as vantagens produtivas de Goiás em investimentos, exportações e geração de empregos.
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