Com crédito mais caro, 57% das indústrias esperam queda na margem
Levantamento da CNI com 179 empresas mostra que 57% das indústrias esperam queda na margem líquida nos próximos três meses, pressionadas pelo crédito caro e pela maior necessidade de capital de giro.

Divulgação
Crédito caro pressiona resultados industriais
A indústria brasileira entra nos próximos três meses sob forte pressão sobre seus resultados. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que 57% das empresas esperam queda na margem líquida, enquanto apenas 25% projetam estabilidade e 19% acreditam que os resultados podem melhorar. Entre as companhias mais pessimistas, 14% preveem uma redução forte na rentabilidade.
O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 28 de agosto de 2026, com 179 empresas de 28 setores produtivos distribuídas por 21 Estados. O quadro revela um cenário desafiador para companhias que precisam financiar suas operações em um momento de crédito caro e demanda interna ainda fraca.
Necessidade de capital de giro cresce
A pressão ocorre nas três principais frentes do fluxo de caixa. Nas contas a pagar, 56% das indústrias estimam aumento ou forte aumento na necessidade de recursos para lidar com fornecedores. Apenas 8% esperam redução nesse item.
Os estoques também exigirão mais dinheiro. Metade das empresas avalia que precisará de financiamento adicional para manter ou ampliar suas reservas de produtos e insumos. Outros 39% projetam estabilidade, e somente 11% acreditam que a necessidade cairá.
Nas contas a receber, 49% das indústrias esperam maior necessidade de capital no período entre a entrega dos produtos e o recebimento das vendas. Desse total, 30% preveem aumento e 19% apontam alta forte, indicando que o dinheiro continuará parado por mais tempo antes de retornar ao caixa.
Juros elevados limitam alternativas
O aumento da necessidade de recursos coincide com a expectativa de taxas mais caras. Entre as empresas que deverão financiar estoques, 62% das que têm maior demanda por capital também preveem elevação nos juros. O mesmo ocorre em operações de desconto de recebíveis e negociações com fornecedores, nas quais 60% das companhias com maior necessidade de financiamento esperam taxas mais onerosas.
Apesar da maior demanda por caixa, as indústrias reduzem a intenção de buscar bancos. A proporção de empresas que estimam aumento no saldo da dívida bancária caiu de 45% em junho para 39% em julho e 32% em agosto. A retração de 13 pontos percentuais em dois meses reflete a resistência ao custo do crédito tradicional.
Pouco espaço para repassar custos
O problema é ainda maior porque as empresas têm dificuldade para transferir o aumento dos custos aos preços finais. A intenção de reajustar vendas caiu de 51% em junho para 35% em agosto. A maioria, 53%, pretende manter os preços inalterados, pressionada pela demanda fraca e pela concorrência de produtos importados.
Com mais despesas financeiras, maior necessidade de capital de giro e capacidade limitada de reajuste, a margem líquida tende a suportar o impacto. O resultado sinaliza cautela no setor industrial e pode contribuir para desaceleração de investimentos, produção e contratações nos próximos meses.
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