Cni defende dobrar investimentos em infraestrutura e elevar gasto a 4,65% do PIB
Estudo da CNI propõe novos modelos de financiamento para levar os aportes anuais ao setor de 2,19% do PIB em 2025 para 4,65%, patamar próximo de R$ 550 bilhões.

Divulgação
O Brasil precisa dobrar os investimentos em infraestrutura em relação ao patamar atual para reduzir um hiato histórico e aproximar o país dos padrões internacionais. Um estudo divulgado nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, pela CNI, defende que os aportes anuais cheguem a 4,65% do PIB, cerca de R$ 550 bilhões, ao longo das próximas duas décadas.
O alvo representa um salto significativo. Em 2024, os investimentos no setor atingiram R$ 266,8 bilhões, equivalentes a 2,27% do PIB. Em 2025, o total foi de R$ 277,9 bilhões, ou 2,19% da economia, indicando que o crescimento recente ainda ficou distante da meta proposta.
Recuo público e avanço da iniciativa privada
Os recursos públicos tiveram queda acentuada. A média anual caiu de R$ 208,5 bilhões entre 2010 e 2014 para R$ 107 bilhões em 2024. Na contramão, o capital privado aumentou de R$ 88,6 bilhões no mesmo período inicial para R$ 184,5 bilhões em 2024.
No acumulado de 2025, a participação privada chegou a R$ 188,5 bilhões, respondendo por 70,5% dos recursos aplicados. Os recursos públicos ficaram em R$ 78,6 bilhões. O diagnóstico aponta que o avanço das despesas obrigatórias e da dívida pública reduziu a margem do Orçamento Geral da União e dos governos estaduais para financiar obras com recursos discricionários.
Mercado de capitais assume papel central
O crescimento privado está ligado à maior utilização do mercado de capitais, especialmente por meio de debêntures incentivadas. Em 2024, esses títulos voltados à infraestrutura chegaram a R$ 111,2 bilhões. A participação privada já domina telecomunicações, com 91% dos aportes, energia elétrica, com 82,1%, e saneamento, com 65,2%.
O setor de transportes continua liderado por recursos públicos, que representaram 64% do total em 2024, impulsionado por investimentos diretos dos estados e pelo BNDES. Para a CNI, essa diferença mostra a necessidade de combinar orçamento público, bancos de desenvolvimento e capital privado, já que nenhuma fonte seria suficiente isoladamente para atender à demanda nacional.
Novos caminhos para financiar obras
Entre as propostas está a ampliação do Project Finance Non-Recourse, modalidade em que o financiamento depende principalmente do fluxo de caixa e dos ativos do próprio empreendimento. A intenção é viabilizar projetos robustos sem transferir aos desenvolvedores todo o risco do negócio.
O estudo também recomenda maior presença dos bancos comerciais no crédito de longo prazo, para além dos empréstimos pontuais, e a criação de mercados secundários que deem liquidez aos títulos. Bancos públicos como BNDES e Caixa poderiam apoiar estados e municípios na estruturação de concessões e parcerias público-privadas, usando sua capacidade técnica para reduzir riscos e atrair investidores.
Fundos de pensão, seguradoras, instituições de previdência e capital estrangeiro também são indicados como novos agentes. A CNI defende ainda maior emissão de títulos de dívida corporativa e o uso de garantias públicas para gerar efeito multiplicador. A proposta é tornar os investimentos em infraestrutura mais frequentes, diversificados e capazes de apoiar o crescimento econômico do país.
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