Antisséptico com clorexidina reduz resistência de fungo hospitalar em testes
Testes de laboratório indicam que clorexidina combinada com eugenol e mentol pode reduzir a resistência do fungo Candida parapsilosis, associado a infecções hospitalares.

Divulgação
Combinação aumenta a ação contra biofilmes
Uma formulação antisséptica à base de clorexidina alcoólica a 0,5%, associada a compostos naturais como eugenol e mentol, demonstrou potencial para inibir o fungo Candida parapsilosis e reduzir sua resistência em testes de laboratório. O estudo, publicado na revista Pathogens, aponta para uma alternativa promissora no controle de microrganismos capazes de provocar infecções hospitalares graves.
O C. parapsilosis pode fazer parte da microbiota humana sem causar doenças. O risco aumenta quando alcança feridas, incisões cirúrgicas, cateteres e outros dispositivos implantados. O fungo também consegue formar biofilmes em superfícies e equipamentos, estrutura que dificulta a ação de medicamentos, antissépticos e produtos de desinfecção.
Nos hospitais, a transmissão costuma ocorrer de forma cruzada pelas mãos dos profissionais de saúde. Por isso, a avaliação de novas composições para higienização é considerada estratégica, especialmente em unidades de terapia intensiva pediátrica e oncológica, onde pacientes podem apresentar maior vulnerabilidade a infecções.
Resultado ainda exige novas etapas
As análises in vitro utilizaram amostras coletadas das mãos de 60 profissionais que atuavam nesses ambientes. Entre as diferentes combinações testadas, a clorexidina apresentou forte sinergismo com o eugenol e o mentol, potencializando o efeito antifúngico. A pesquisa também investiga componentes de óleos essenciais que podem reduzir o ressecamento causado pelo uso repetido de álcool na pele.
Apesar dos resultados positivos, a fórmula ainda não pode ser tratada como produto pronto para uso clínico. O grupo realiza testes complementares de eficácia e toxicidade, inclusive no organismo do invertebrado Caenorhabditis elegans. Também estão em fase final avaliações em pele suína, considerada semelhante à humana em estudos laboratoriais.
Novas análises deverão observar a ação da formulação em diferentes superfícies, com apoio de microscopia de varredura e ensaios de imunofluorescência. Os pesquisadores pretendem verificar como as células do fungo são alteradas após a aplicação dos compostos e medir a quantidade de microrganismos deteriorados.
O trabalho é coordenado pela professora Regina Helena Pires, da Universidade de Franca, com participação de pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia, da Universidade de São Paulo e da Universidade do Minho, em Portugal. A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
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