Desconfiança no STF chega a 48%, maior nível desde 2012
Levantamento do Datafolha aponta que 48% dos eleitores não confiam no Supremo Tribunal Federal, maior índice da série histórica iniciada em 2012. Percentual supera numericamente os registrados para Presidência, Congresso e partidos políticos.

Divulgação
A desconfiança em relação ao Supremo Tribunal Federal alcançou 48% entre os eleitores entrevistados pelo Datafolha. É o maior nível registrado desde o início da série histórica, em 2012, e indica um momento de forte desgaste da imagem da Corte perante a população.
STF acima de outras instituições
Pela primeira vez, o descrédito em relação ao Supremo supera numericamente o verificado em outras instituições pesquisadas. A Presidência aparece com 42% de desconfiança, enquanto Congresso Nacional e partidos políticos somam 45% cada. A comparação é numérica, pois a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Quando questionados se confiam muito, confiam um pouco ou não confiam no STF, 48% dos eleitores escolheram a última opção. Outros 35% afirmaram confiar pouco na Corte, e 14% disseram confiar muito. O resultado revela que a maioria dos entrevistados mantém algum grau de desconfiança em relação aos ministros.
Metodologia da pesquisa
O levantamento ouviu 2.002 eleitores em 125 municípios brasileiros entre os dias 15 e 17 de setembro de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com grau de confiança de 95%. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04029/2026.
Crise institucional no Supremo
O resultado da pesquisa foi divulgado em meio a uma das maiores crises enfrentadas pelo STF. As investigações envolvendo o Banco Master e Daniel Vorcaro atingiram diretamente a imagem de ministros como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. O caso ganhou repercussão após o conteúdo de comunicações atribuídas a Vorcaro e Moraes ser incluído em relatório apresentado por André Mendonça.
Na terça-feira, 15 de setembro, o plenário do Supremo deveria avaliar a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. A sessão, porém, foi marcada por divergências e bate-bocas entre os ministros, sem que o mérito da proposta fosse debatido. Ao final, Flávio Dino pediu vista do processo, suspendendo a discussão por até 90 dias.
Em março, a desconfiança em relação ao STF era de 43%, enquanto 16% diziam confiar muito na Corte e 38%, confiar pouco. Em seis meses, o percentual de eleitores que declararam não confiar no Supremo subiu 5 pontos, sinalizando uma deterioração adicional da confiança pública na instituição.
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