Quantos estômagos tem um boi? Entenda a digestão dos bovinos
Bovinos possuem um único estômago dividido em quatro compartimentos: rúmen, retículo, omaso e abomaso. Cada parte atua de forma integrada para transformar alimentos fibrosos em nutrientes e energia.

Divulgação
Bois e vacas costumam passar longos períodos mastigando, mesmo quando não estão retirando alimento diretamente do pasto. O comportamento desperta uma dúvida comum: afinal, os bovinos têm quatro estômagos? A resposta é não. Eles possuem um único estômago, dividido em quatro compartimentos que trabalham de forma integrada durante a digestão.
Um estômago com quatro compartimentos
Os quatro compartimentos são rúmen, retículo, omaso e abomaso. Essa organização permite que os bovinos aproveitem plantas ricas em fibras, especialmente a celulose, que o organismo dos animais não conseguiria decompor sozinho.
O rúmen é o maior compartimento e funciona como um ambiente de fermentação. Nele vivem bactérias, protozoários e fungos que quebram carboidratos estruturais das plantas e produzem ácidos graxos voláteis. Essas substâncias são absorvidas e utilizadas pelo animal como importante fonte de energia.
O retículo atua em conjunto com o rúmen e participa da formação do bolo alimentar. Parte do alimento parcialmente fermentado retorna à boca para ser mastigada novamente. Esse processo é a ruminação, que reduz o tamanho das partículas e facilita a ação dos microrganismos no sistema digestivo.
Por que o boi mastiga tanto?
Depois de remastigado, o alimento é engolido novamente e segue para os demais compartimentos. A ruminação também estimula a produção de saliva, que ajuda a manter condições adequadas no rúmen para a atividade dos microrganismos.
O omaso possui dobras internas semelhantes às páginas de um livro. Sua principal função é absorver água, eletrólitos e parte dos nutrientes antes que o material digestivo avance. Em seguida, o alimento chega ao abomaso, considerado o compartimento mais semelhante ao estômago de animais com digestão simples.
No abomaso ocorre a digestão química por meio de ácidos e enzimas produzidos pelo próprio bovino. Essa etapa complementa o trabalho realizado pela fermentação e possibilita o aproveitamento dos nutrientes presentes nos alimentos consumidos diariamente.
Relação entre digestão bovina e adubação
O eficiente aproveitamento das plantas também explica a importância do esterco bovino na agricultura. As fezes dos ruminantes contêm matéria orgânica e nutrientes, como nitrogênio, fósforo e potássio, que podem contribuir para a fertilidade do solo.
Para ser utilizado com segurança, o esterco deve passar por manejo adequado, pois o processo reduz riscos associados a microrganismos patogênicos e sementes de plantas indesejadas. Assim, a digestão dos bovinos influencia tanto a nutrição animal quanto a produção vegetal e a sustentabilidade das propriedades rurais.
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