Soja deve manter preços firmes no Brasil no curto prazo
Apesar da queda registrada na semana, a menor disponibilidade do grão nos portos brasileiros e os riscos climáticos devem sustentar as cotações da soja.

Divulgação
A soja encerrou a semana com leve recuo nas cotações, mas o cenário para os próximos dias continua favorável à manutenção de preços elevados no Brasil. Na sexta-feira (18), o indicador Cepea/Esalq com base no porto de Paranaguá, no Paraná, registrou queda de 0,08%, com a saca negociada a R$ 161,89.
Oferta restrita sustenta o mercado
A firmeza das cotações está relacionada principalmente à menor disponibilidade imediata do grão nos portos brasileiros. Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios, avalia que essa condição favorece uma trajetória positiva no mercado interno, mesmo quando as cotações internacionais apresentam movimento contrário.
Enquanto a bolsa de Chicago pode sofrer influência de outros fatores, como a oferta norte-americana e a demanda global, o Brasil vive neste momento uma dinâmica própria. A redução dos volumes disponíveis para entrega reforça o poder de negociação dos vendedores e contribui para segurar os preços em patamares altos.
Clima pode intensificar as altas
A tendência de estabilidade com possíveis repiques de alta depende, agora, da evolução do plantio e da atuação do El Niño. Caso o fenômeno se intensifique e provoque mudanças no regime de chuvas entre setembro e outubro, a percepção de risco no mercado pode aumentar.
A ocorrência de veranicos durante o início do desenvolvimento das lavouras seria acompanhada com atenção pelos operadores. Qualquer sinal de atraso no plantio ou de dificuldade na formação das culturas pode provocar movimentos mais fortes nas cotações dentro do país.
Preços recuam nas principais praças
Apesar do cenário favorável no curto prazo, a semana terminou com quedas em todas as 38 praças monitoradas pela AgRural. Em Ponta Grossa, no Paraná, a saca perdeu R$ 2,50 em relação ao dia anterior e foi negociada a R$ 155.
Também houve recuo em Primavera do Leste, em Mato Grosso, onde a saca caiu R$ 2 e passou a R$ 142. Em Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, o preço recuou a mesma quantia, ficando em R$ 144. Os movimentos mostram que a realização de vendas convive com a expectativa de maior firmeza.
Mercado acompanha o início do plantio
Nas próximas semanas, produtores, traders e indústrias devem observar de perto a chegada das chuvas, o avanço da semeadura e a disponibilidade de soja nos principais polos produtores. A combinação entre oferta ainda limitada e incertezas climáticas tende a manter o mercado atento e as cotações em patamares elevados.
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