Preço do boi avança 10% em um ano, aponta Cepea
As cotações do boi gordo acumularam alta próxima de 10% em doze meses, impulsionadas pela oferta restrita e pela expectativa de preços ainda mais altos. O Indicador Cepea/ESALQ em agosto ficou em R$ 345,92, com aumento de 3,1% sobre julho e 9,8% sobre agosto de 2023.

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Preço do boi gordo acumula alta de quase 10% em um ano
Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do boi gordo apresentaram forte avanço nos últimos doze meses, acumulando elevação próxima de 10% em termos reais. Esse movimento é impulsionado pela redução da oferta de animais prontos para o abate, aliada à expectativa de que os preços continuem em trajetória de alta nos próximos meses. O cenário tem deixado os pecuaristas mais seletivos nas vendas, priorizando a retenção de lotes em busca de melhores condições de negociação.
Desempenho do indicador Cepea/ESALQ em agosto
No estado de São Paulo, o Indicador do boi gordo Cepea/ESALQ registrou média de R$ 347,00 na primeira quinzena de agosto e apresentou pequena queda para R$ 344,00 na segunda metade do mês, mantendo-se estável até o final do período. A média mensal ficou em R$ 345,92, o que equivale a um acréscimo de 3,1% frente ao mês de julho e de 9,8% comparado com agosto de 2023, já descontada a inflação medida pelo IGP‑DI. Esses números reforçam a firmeza observada no mercado interno ao longo do ano.
Fatores que sustentam a valorização
Pesquisadores do Cepea destacam dois elementos principais: a menor disponibilidade de animais destinados ao confinamento e a perspectiva de que a oferta de confinamento em 2024 fique abaixo da registrada em 2025. Essa combinação reduz a pressão vendedora e limita a possibilidade de correções mais profundas nas cotações. Além disso, o crédito rural mais caro e as condições climáticas variáveis têm influenciado a decisão dos produtores de manter o rebanho em pasture, aguardando momentos mais favoráveis para a comercialização.
Impactos na cadeia produtiva e no consumidor
A valorização do boi gordo tende a se refletir nos preços da carne bovina no varejo, embora com algum atraso devido ao processo de industrialização e à margem de negociação dos frigoríficos. Analistas apontam que, se a tendência de alta se manter, o custo da proteína animal pode contribuir para a pressão inflacionária nos alimentos, especialmente em regiões onde o consumo de carne é mais intenso. Entretanto, a presença de importações e de cortes alternativos pode amenizar parte desse efeito.
Expectativas para os próximos meses
Com o mercado aquecido e a oferta limitada, a tendência é de manutenção dos patamares elevados ou até novos aumentos, caso a demanda interna e externa continue firme. Pecuaristas devem acompanhar de perto os indicadores de confinamento, as taxas de juros do crédito rural e as políticas de apoio ao setor, que podem influenciar a decisão de venda ou retenção do rebanho nos próximos trimestres. Acompanhar esses fatores será essencial para planejar a produção e evitar surpresas de preço.








