Espírito Santo consolida liderança nacional na produção de aves e suínos, revela IBGE
O Espírito Santo reafirma sua posição de destaque no agronegócio brasileiro, com dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2025 do IBGE. O estado, impulsionado por Santa Maria de Jetibá, lidera a produção de ovos e o efetivo de galináceos no país, ao mesmo tempo em que fortalece suas cadeias de frango de corte e suinocultura, enfrentando, contudo, desafios significativos de custo e mercado.

Divulgação
O agronegócio capixaba mostra sua força e resiliência, colocando o Espírito Santo em evidência no cenário nacional. Os resultados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2025, recentemente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no final de setembro, apontam o estado como um polo de excelência na produção de aves e suínos, com um destaque especial para a avicultura de postura. Esses números não apenas refletem a capacidade produtiva local, mas também sublinham a importância estratégica do setor para a economia regional e nacional, mesmo diante de um cenário de constantes desafios.
Santa Maria de Jetibá lidera produção de ovos e efetivo de aves
No coração dessa performance robusta está o município de Santa Maria de Jetibá, que mais uma vez reafirmou sua liderança absoluta na produção de ovos no Brasil. Segundo a pesquisa do IBGE, a cidade capixaba foi responsável por impressionantes 352,5 milhões de dúzias de ovos em 2025, consolidando sua posição como o maior produtor do país. Além disso, o município também se destaca no ranking nacional de efetivo de galináceos, com 18,4 milhões de aves, um incremento de mais de 890,5 mil animais em comparação com o ano anterior. Desse total, cerca de 15,1 milhões são galinhas destinadas especificamente à produção de ovos, evidenciando a especialização e o volume da atividade na região.
O desempenho local acompanha uma tendência de expansão da avicultura em todo o Brasil. Em 2025, o país alcançou um total de 1,6 bilhão de galináceos, registrando um crescimento de 1,6% em relação a 2024. O efetivo de galinhas poedeiras, por sua vez, atingiu 293,3 milhões, uma alta de 5,8%. A produção nacional de ovos também alcançou um novo recorde, com 5,7 bilhões de dúzias e um crescimento de 5,7% em relação ao ano anterior. O valor da produção atingiu a marca de R$ 36,4 bilhões, um aumento significativo de 13,9%, refletindo a valorização do produto no mercado. Desde 1999, a produção brasileira de ovos mantém uma trajetória ascendente, reforçando a importância dessa proteína na mesa dos brasileiros.
Cadeia produtiva consolidada impulsiona avicultura capixaba
A liderança de Santa Maria de Jetibá não é um feito isolado, mas sim o resultado de uma cadeia produtiva sólida e bem estruturada, desenvolvida ao longo de décadas. Investimentos contínuos em tecnologia, genética, nutrição, manejo sanitário e automação têm sido pilares para o sucesso do setor. A Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES) destaca que esses números ajudam a dimensionar a relevância da avicultura de postura para o município e para todo o estado. É importante notar que os cálculos da AVES, baseados em dados setoriais, indicam uma produção ainda maior para Santa Maria de Jetibá, chegando a 392,6 milhões de dúzias em 2025, e 5,26 milhões de unidades para o estado como um todo, sublinhando a real dimensão da atividade.
Além da avicultura de postura, o Espírito Santo também possui uma importante cadeia de produção de frangos de corte. Em 2025, o estado registrou uma produção de 122 mil toneladas de frango abatido. Embora represente uma parcela menor do mercado nacional, o segmento é crucial para o abastecimento interno, com 76% da produção destinada ao próprio mercado capixaba. Outros 21% são distribuídos para estados vizinhos como Bahia, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e cerca de 3% são exportados para diversos países, incluindo Hong Kong, Congo e África do Sul. A distinção entre "galináceos" (que abrange todas as aves da espécie Gallus gallus) e "frangos de corte" (aves destinadas ao abate) é fundamental para compreender a complexidade e a diversidade da avicultura capixaba.
Expansão da suinocultura e desafios do setor
A Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) também trouxe dados sobre a suinocultura capixaba, indicando uma produção de mais de 160 mil cabeças em 2025. No cenário nacional, a produção de suínos mostrou estabilidade, com aproximadamente 44 milhões de cabeças. Assim como na avicultura, a Associação de Suinocultores do Espírito Santo (ASES), por meio de seu diretor executivo Nélio Hand (que também atua na AVES), aponta que os números locais, baseados em volumes abatidos, podem ser superiores aos do IBGE, superando 350 mil animais. Essa atividade representa um pilar fundamental para a geração de alimentos, empregos e renda em diversas comunidades do estado, complementando o robusto setor avícola.
Apesar dos avanços e das projeções positivas, os produtores capixabas enfrentam uma série de desafios que exigem atenção constante. Entre os principais pontos de preocupação estão os elevados custos de produção, especialmente os relacionados à alimentação dos animais (milho e farelo de soja, por exemplo) e à logística de transporte. A manutenção da sanidade dos plantéis, as oscilações de preços no mercado e a busca por um equilíbrio justo entre oferta, demanda e remuneração ao produtor são batalhas diárias. Nélio Hand ressalta que o maior desafio é "manter a competitividade da produção diante de custos que podem oscilar bastante e de um mercado que nem sempre acompanha essa variação", destacando a necessidade de estratégias eficientes para garantir a sustentabilidade do agronegócio capixaba.
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