Chuva e El Niño impulsionam preço do açúcar a patamar recorde
As cotações internacionais do açúcar dispararam, alcançando valores não registrados desde dezembro de 2024. A escalada é motivada pelas intensas chuvas que atingem o Centro-Sul do Brasil, prejudicando a colheita da cana-de-açúcar, e pelo avanço do fenômeno El Niño, que impacta a produção global da commodity, elevando a importância do Brasil no cenário de exportação.

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O mercado internacional de açúcar está em efervescência, com os preços da commodity atingindo patamares não vistos desde dezembro de 2024, o que representa o maior valor em quase dois anos. A valorização é um reflexo direto de uma combinação de fatores climáticos adversos no Brasil e tendências globais impulsionadas pelo fenômeno El Niño, que ameaçam a oferta do adoçante em escala mundial.
Cotações em Nova York refletem preocupações com a oferta
No centro financeiro, os contratos futuros do açúcar demerara negociados na bolsa de Nova York demonstraram a força desse movimento de alta. Os contratos com vencimento em março de 2027, atualmente os mais negociados, encerraram o pregão cotados a 21,11 centavos de dólar a libra-peso. Já os contratos para maio de 2027 fecharam a 20,23 centavos de dólar a libra-peso. Tais cifras confirmam a escalada e as expectativas do mercado em relação à futura disponibilidade do produto.
Chuvas no Centro-Sul brasileiro paralisam a colheita
A principal razão para essa guinada nos preços, no curto prazo, reside nas chuvas volumosas que castigam o Centro-Sul do Brasil, região vital para a produção sucroalcooleira. O aumento significativo das precipitações está diretamente ligado ao fortalecimento do El Niño, que tem alterado os padrões climáticos. Analistas preveem volumes de chuva substanciais para as próximas semanas, com acumulados que podem superar 120 milímetros, cenário que inviabiliza a colheita da cana. “Essas proporções paralisam a atividade de colheita”, observa Maurício Murici, analista da Safras & Mercado, alertando para as consequências na oferta.
Impacto na produção nacional e global
Quanto mais as chuvas dificultam a colheita, menor é a disponibilidade imediata de açúcar brasileiro no mercado. Dados recentes mostram um atraso inédito na moagem de cana do Centro-Sul na primeira quinzena de setembro, em comparação com o ciclo anterior. A produção acumulada de açúcar da safra atual está 14% menor do que no mesmo período do ano passado, representando uma diferença bruta de 4,3 milhões de toneladas. Além do Brasil, o El Niño também prevê quebras de safra em importantes regiões produtoras como Índia, Tailândia e Europa, intensificando a pressão sobre o mercado global e consolidando o Brasil como um protagonista ainda maior nas exportações.
Do mercado baixista à forte recuperação
O cenário atual marca uma reviravolta para o mercado de açúcar, que enfrentou um ciclo de baixa até julho. Com as confirmações do El Niño e as projeções de quedas de produção, o mercado reagiu em agosto, com os preços saindo da casa dos 14 centavos de dólar para oscilar em torno de 19 centavos em setembro. Desde o início de agosto, a valorização em dólares já ultrapassa os 30%. Embora a queda do dólar em relação ao real tenha desestimulado exportações em outros momentos, a recente alta do açúcar não demonstrou correlação com o câmbio, mesmo com a valorização da moeda americana frente ao real.
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