Flávio Bolsonaro se prepara para votar Pec do 6x1 sob pressão política no Senado
Em um movimento estratégico e pressionado, o candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) indicou que votará a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a escala de trabalho de 6x1. A decisão, embora vista com ressalvas pela campanha devido a preocupações econômicas, é encarada como a única saída para evitar um desgaste político ainda maior frente às investidas do atual governo e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Divulgação
A corrida presidencial de 2026 ganha contornos de um verdadeiro jogo de xadrez no Senado, com a iminente votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de trabalho 6x1. Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, viu-se sem alternativa e indicou que não resistirá à aprovação da matéria, que será pautada para a primeira votação já na próxima quarta-feira, 14 de outubro de 2026, conforme agenda do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Apesar das críticas internas sobre a formulação da proposta e seus potenciais impactos negativos na economia, a equipe de campanha do senador avalia que se posicionar contra seria um golpe fatal em sua imagem. A PEC, que busca reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais e garantir um dia adicional de folga aos trabalhadores, tornou-se um campo minado político, especialmente em um momento tão crucial da disputa eleitoral.
O dilema político de Flávio Bolsonaro
A estratégia definida para Flávio Bolsonaro envolve um voto favorável acompanhado de um discurso cuidadosamente elaborado. O senador pretende, por um lado, reiterar seu apoio a melhores condições de trabalho para os brasileiros. Por outro, aproveitará a tribuna para criticar o que considera medidas eleitoreiras e economicamente prejudiciais adotadas pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), prometendo revisá-las caso chegue à presidência.
Essa manobra reflete a complexa armadilha política criada por Lula nos últimos dias, com discursos combativos que colocaram Flávio em uma encruzilhada. Votar contra a PEC o faria ser taxado de inimigo dos trabalhadores, enquanto votar a favor permitiria a Lula capitalizar politicamente a vitória, apresentando-se como o idealizador da medida. A leitura nos bastidores é que a segunda opção, embora entregue um trunfo ao adversário, minimiza os danos à campanha do PL.
Impacto econômico e as críticas à proposta
Enquanto o debate político fervilha, diversas associações de setores econômicos têm manifestado forte oposição à PEC. Elas alertam que, na forma atual, a proposta pode gerar um aumento significativo no desemprego, elevar a inflação e impor um custo adicional às empresas brasileiras que pode chegar a expressivos R$ 267,2 bilhões. Tais preocupações, porém, parecem ter sido ofuscadas pela urgência da disputa eleitoral.
Com as discussões sendo retomadas no Senado nesta terça-feira, 13 de outubro, o governo já trabalha com a aprovação da PEC e a intenção de usar essa vitória como um forte argumento político para Lula nesta reta final do segundo turno. Para que a proposta seja aprovada na Casa Alta, são necessários, no mínimo, 49 votos favoráveis em cada um dos dois turnos de votação. A oposição, mesmo ciente do custo político, parece resignada com o resultado, focada em mitigar os impactos da inevitável 'vitória' do governo na agenda popular.
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