BioNTech fecha três fábricas na Alemanha e foca em oncologia
Gigante farmacêutica que lucrou com vacina da Covid-19 passa por reestruturação, com fechamento de unidades e corte de pessoal, para investir em tratamentos contra o câncer.

Divulgação
A gigante farmacêutica alemã BioNTech, mundialmente conhecida pela vacina contra a Covid-19 desenvolvida em parceria com a Pfizer, anunciou o fechamento de três de suas fábricas na Alemanha. A decisão, que afeta cerca de 1.800 funcionários, faz parte de uma ampla reestruturação estratégica da empresa. A unidade de Tübingen será desativada no final de 2027, seguida pela de Marburg no início de 2028 e pela de Idar-Oberstein no final do mesmo ano.
Mudança de foco e reestruturação estratégica
Essa movimentação ocorre após a BioNTech ter decidido, em maio, encerrar a produção de vacinas contra a Covid-19 na Alemanha, transferindo integralmente essa atividade para sua parceira americana Pfizer. Na época, a empresa já indicava a análise de opções para a venda das fábricas afetadas, visando mitigar o impacto das demissões. No entanto, a companhia informou que a impossibilidade de concretizar essas vendas se deve, em grande parte, ao atual cenário de mercado e de investimentos, considerado desfavorável. Com essa reestruturação, a BioNTech, sediada em Mainz, projeta uma economia anual de aproximadamente 500 milhões de euros a partir de 2029, recursos que serão integralmente direcionados ao desenvolvimento de novos medicamentos contra o câncer.
Desafios financeiros e o futuro da empresa
A BioNTech alcançou fama global e lucros bilionários com o pioneirismo na vacina contra a Covid-19, um feito que catapultou seus fundadores, o casal Uğur Şahin e Özlem Türeci, para o reconhecimento internacional. Contudo, nos últimos anos, a demanda pela vacina diminuiu significativamente, e a empresa ainda não possui outro produto aprovado em larga escala para comercialização. Com aproximadamente 7.200 funcionários em todo o mundo, a BioNTech tem passado por um processo contínuo de transformação e reestruturação. A companhia dedica-se à pesquisa de uma vasta gama de produtos, com um forte enfoque na área de oncologia, explorando imunoterapias baseadas em mRNA e conjugados anticorpo-fármaco, tecnologias que visam a entrega mais precisa de quimioterápicos às células cancerígenas. Esses investimentos elevados têm resultado em prejuízos acumulados, com a empresa registrando um déficit líquido de 1,35 bilhão de euros nos primeiros seis meses do ano corrente, um aumento em relação aos 802,4 milhões de euros do mesmo período do ano anterior.
Mudanças na liderança e novos horizontes
As transformações na BioNTech coincidem com a iminente saída do casal fundador, Uğur Şahin e Özlem Türeci, previsto para o final de 2026. Eles planejam fundar uma nova empresa, batizada de Arife e também sediada em Mainz, para se dedicar ao desenvolvimento da próxima geração de medicamentos baseados em mRNA. Apesar da saída da gestão direta, Şahin e Türeci pretendem manter sua participação como acionistas da BioNTech. O sucessor de Şahin na posição de diretor-presidente será Guido Oelkers, que assumirá o cargo antes de 1º de fevereiro de 2027. Oelkers, com experiência na extinta Hoechst AG e vindo da empresa sueca Swedish Orphan Biovitrum (Sobi), traz consigo um histórico relevante para liderar a BioNTech em sua nova fase.
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