Café Conilon capixaba busca expansão global e desafios pedem união e inovação
O café Conilon do Espírito Santo se prepara para uma década decisiva, repleta de oportunidades para ampliar sua presença no mercado mundial, mas também com desafios significativos que exigirão inovação tecnológica, maior articulação entre produtores e cooperativas, e investimentos em infraestrutura. Questões como mão de obra, mudanças climáticas e qualidade dos grãos são centrais para a consolidação do setor.

Divulgação
O setor de café Conilon no Espírito Santo vislumbra uma década de oportunidades promissoras, mas também de desafios complexos que demandarão estratégias inovadoras e uma forte sinergia entre todos os elos da cadeia produtiva. A necessidade de articular produtores e cooperativas, aliada a investimentos robustos em infraestrutura, será crucial para enfrentar obstáculos como o crescimento da produção, a escassez de mão de obra qualificada, os impactos das mudanças climáticas, a sucessão familiar e aprimoramento contínuo da qualidade dos grãos. A pauta para os próximos anos inclui ainda a urgente tarefa de ampliar as exportações, conforme debatido na Feira Internacional do Café Conilon (Ficc), em São Mateus, por representantes das principais cooperativas do estado.
A aposta na expansão internacional e a concorrência global
Marcelino Bellardt, CEO da Nater Coop, enfatizou que o aumento da produção brasileira de Conilon, especialmente no Espírito Santo, tende a seguir o ritmo dos avanços de produtividade e da demanda global. Contudo, com o consumo interno potencialmente incapaz de acompanhar essa velocidade, a expansão para o mercado exterior se torna imperativa. Nesse cenário, a competitividade do Conilon capixaba frente a players consolidados como o Vietnã exige atenção redobrada. Além de investimentos na própria produção, os entraves logísticos figuram como um gargalo a ser superado. Bellardt ressaltou que as cooperativas desempenham um papel vital na identificação de novas oportunidades e na construção de estratégias comerciais conjuntas, fortalecendo a posição do café brasileiro no exterior.
Qualidade, produtividade e o impacto climático na lavoura
Luiz Carlos Bastianello, presidente da Cooabriel, manifestou otimismo quanto ao futuro do Conilon, prevendo um protagonismo ainda maior para a variedade entre os cafés brasileiros nos próximos dez anos. Ele, entretanto, sublinhou a necessidade de uma evolução contínua nos padrões de produtividade e qualidade. A escassez de mão de obra e os desafios impostos pelas mudanças climáticas são obstáculos persistentes, exigindo adaptação e resiliência. Apesar disso, Bastianello destacou as vantagens naturais do Espírito Santo, como áreas propícias ao cultivo e a disponibilidade de recursos hídricos e energéticos, que favorecem a atividade cafeeira. A capacidade de inovar e se adaptar a essas condições será determinante para o sucesso.
Tecnologia e sucessão familiar: pilares para o futuro do Conilon
Renato Theodoro, presidente da Cafesul, apontou para a crescente expansão do Conilon em áreas de maior altitude, inclusive em regiões tradicionalmente voltadas para o Arábica, evidenciando a busca por variedades mais adaptáveis. Além disso, Theodoro alertou para a urgência de aprimorar o manejo, a secagem e o armazenamento dos grãos, especialmente diante da meta de crescimento das exportações. Práticas inadequadas, como a queima dos grãos ou a contaminação por mofo, podem comprometer a qualidade e, consequentemente, as oportunidades de comercialização, inclusive em mercados de nicho que valorizam cafés diferenciados e certificados. Outro ponto crítico é a ampliação do acesso à tecnologia e o desenvolvimento de maquinário adaptado às regiões montanhosas, onde a mecanização é mais difícil e a dependência de mão de obra é maior. Por fim, Renato Theodoro reforçou a importância da sucessão familiar e do engajamento das novas gerações para garantir a perenidade e a inovação do setor cafeeiro.
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