Campanha de Lula busca culpados após ir para o segundo turno
Aliados apontam falhas na organização e comunicação, com críticas direcionadas à primeira-dama, ao marqueteiro e ao coordenador-geral da campanha.

Divulgação
A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a presidência, que se esperava uma vitória ainda no primeiro turno, agora se encontra em meio a um cenário de busca por responsáveis após a necessidade de disputar o segundo turno. Relatos de aliados indicam que a centralização de decisões no próprio presidente teria levado a uma desorganização estratégica, com Lula resistindo a alertas internos e apostando em uma vitória antecipada.
Críticas à organização e à comunicação interna
Em uma reunião recente, o próprio Lula teria classificado a campanha como a “menos organizada” desde 1989, expondo publicamente tensões que já circulavam nos bastidores. Essa declaração, que deveria ser privada, acabou vazando e intensificando as discussões sobre quem são os responsáveis pelas falhas percebidas. As críticas se concentram em três nomes principais: a primeira-dama Janja da Silva, o marqueteiro Sidônio Palmeira e o coordenador-geral da campanha, Edinho Silva.
Apontando para a cúpula: Janja, Sidônio e Edinho
Janja da Silva tem sido alvo de críticas por parte de petistas que a consideram excessivamente intervencionista em diversas decisões da campanha, desde a escolha de quem sobe nos palanques até a comunicação geral. A sugestão de “Menos Janja, mais Alckmin” ecoou em reuniões, refletindo um desejo por maior foco na figura do candidato a vice. Sidônio Palmeira, por sua vez, enfrenta coro pela sua demissão devido a uma estratégia de comunicação considerada engessada e pouco eficaz. Sua posição como ministro da Secom e sócio de Raul Rabello, que assina a propaganda de Lula, também levanta questionamentos. Edinho Silva, como coordenador-geral, é criticado pela escolha de agendas no primeiro turno, pela falta de um comando claro e por conflitos com as diretrizes de Sidônio, além de atrasos na distribuição de material gráfico.
Estratégia focada no legado e a resistência ao digital
A estratégia de comunicação, que insistiu em focar no legado de Lula, também é vista por parte da equipe como um equívoco. A aposta na extensa experiência do presidente como principal atrativo, em detrimento de propostas novas e de uma perspectiva de futuro, é questionada. Essa abordagem, que olhou mais para o passado do que para o futuro, é comparada a entregar a eleição ao adversário. A resistência de Lula a debates no primeiro turno e seu estilo centralizador, que se estende à sua relação com as redes sociais e a imprensa, também são apontados como fatores que dificultam a conexão com o eleitorado, especialmente quando comparado à maior exposição de seu oponente.
Ajustes em curso: comunicação e agendas
Diante do cenário, a campanha busca implementar ajustes em áreas cruciais. Na comunicação, a sugestão é por uma abordagem mais simples, objetiva e próxima do eleitor, com Lula já gravando mais vídeos em formato selfie, que têm alcançado milhões de visualizações. A discussão também envolve reforçar a equipe com publicitários experientes. Quanto às agendas, o objetivo é torná-las mais eficazes e alinhadas com as necessidades da campanha no segundo turno, buscando otimizar a presença do candidato em diferentes regiões e públicos.
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