Coligação de Lula aciona Polícia Federal em caso de criptomoeda e posts pró-Flávio Bolsonaro
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva formalizou um pedido à Polícia Federal para investigar um suposto esquema de distribuição de criptomoedas, a "B22", que teria como objetivo incentivar publicações de apoio ao senador Flávio Bolsonaro. O caso levanta discussões sobre o uso de ativos digitais no cenário político e a preocupante exploração da imagem de crianças estrangeiras em campanhas.

Divulgação
A coligação que representa a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou a Polícia Federal para solicitar uma investigação aprofundada sobre um suposto esquema de distribuição de criptomoedas, o "Brasil 22 Token" (B22), que estaria atrelado à promoção de posts eleitorais em favor do senador Flávio Bolsonaro (PL). A iniciativa busca esclarecer a natureza e a legalidade da operação, que levanta sérias questões sobre financiamento de campanha e a utilização indevida de recursos digitais no contexto político nacional.
Detalhes do esquema da B22 Token
A denúncia apresentada à PF detalha a criação do site brasil22token.com e da criptomoeda B22, que, conforme o documento, prometia recompensas em ativos digitais a usuários que publicassem conteúdos incentivando o voto no número "22". O caso chamou atenção por sua aparente complexidade, envolvendo o uso de plataformas digitais para a disseminação de propaganda política de forma não convencional, sugerindo uma tentativa de burlar as regras eleitorais vigentes. A peça protocolada junto às autoridades ressalta a importância de se investigar a fundo tais práticas, a fim de garantir a lisura e a transparência do processo democrático.
Uso controverso de imagens de crianças
Um dos pontos mais sensíveis da notícia-crime é a menção à divulgação do site "Brasil 22 Token" por meio de um perfil no Instagram com milhões de seguidores, que angaria fundos para projetos sociais com crianças em Uganda. Um vídeo em particular, que mostrava crianças dançando com camisetas amarelas estampadas com a mensagem "B22 token" e cantando "vota, vota e confirma, 22 é Bolsonaro", alcançou mais de um milhão de visualizações. As crianças também faziam menção ao propósito da moeda para "ajudar o Brasil" e citavam nomes de figuras políticas como Flávio Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Pablo Marçal, levantando sérias preocupações sobre a exploração da imagem infantil para fins políticos e eleitorais.
Investigação aponta idealizador e fluxo financeiro
A coligação de Lula aponta Kevim Flores como o idealizador do projeto, citando publicações em redes sociais onde ele divulgava atualizações e o lançamento do site. A campanha do atual presidente destaca que a operação não só oferecia recompensas financeiras por posts, mas também movimentou um volume expressivo de recursos, totalizando R$ 1,06 milhão em apenas 24 horas. Adicionalmente, a denúncia menciona o uso de servidores localizados no exterior, com registros ocultados, dificultando a identificação dos responsáveis e a rastreabilidade das transações, o que sugere uma tentativa de operar à margem da fiscalização brasileira.
Pedidos à Polícia Federal e cooperação internacional
Diante da gravidade das acusações, a coligação do presidente Lula solicitou à Polícia Federal a instauração imediata de um inquérito policial. Entre os pedidos, estão a preservação cautelar de registros digitais em importantes plataformas como Meta (Facebook, Instagram), X (antigo Twitter), Telegram e Binance, além da expedição de um pedido de cooperação jurídica internacional aos Estados Unidos, visando a obtenção de informações cruciais. A campanha também requereu a comunicação aos órgãos de proteção da infância e da juventude, em virtude da utilização da imagem de crianças estrangeiras na propaganda eleitoral, reforçando a dimensão ética e legal do caso.
Defesa e a mudança de narrativa do site
Em resposta às acusações, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou desconhecer a autoria do site da criptomoeda e indicou que tomará todas as medidas judiciais cabíveis para a derrubada da página, tanto nas esferas eleitoral, cível quanto criminal. O candidato negou qualquer contratação de perfis ou produtos de campanha para divulgação de conteúdo. Curiosamente, após a formalização da notícia-crime, a mensagem apresentada no site B22 foi alterada. Inicialmente, o site defendia o "voto 22" e a causa social. Posteriormente, passou a dedicar sua comunicação exclusivamente à "causa social" de ajudar as HypersKids, distanciando-se explicitamente de qualquer vínculo político ou eleitoral, numa clara tentativa de reorientar sua imagem pública em meio à controvérsia.
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