Flávio Bolsonaro aciona TSE contra suposta rede de desinformação pró-Lula no Instagram
A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acusando a chapa Lula-Alckmin de operar uma rede organizada no Instagram para disseminar desinformação, utilizando a ferramenta 'collab'. A petição busca a cassação do registro da chapa petista e o bloqueio de dezenas de perfis ligados à suposta 'campanha do medo'.

Divulgação
A disputa eleitoral ganha um novo capítulo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a ação de investigação judicial eleitoral protocolada nesta quinta-feira pela campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro. O alvo da representação são o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice, Geraldo Alckmin, ambos acusados de serem beneficiados por uma complexa rede de desinformação operando ativamente no Instagram.
A ação, que se destaca pela sua abrangência, solicita a cassação do registro da chapa Lula-Alckmin, uma medida de alto impacto no cenário político. Em caráter liminar, a campanha de Flávio Bolsonaro pede a suspensão imediata de 32 perfis que são identificados como "núcleos de produção de desinformação" até o encerramento do segundo turno das eleições. A peça processual elaborada pelos advogados atribui à equipe do candidato petista a condução de uma "campanha do medo", orquestrada por meio de uma rede organizada dedicada a difundir conteúdos distorcidos para favorecer a reeleição de Lula.
O foco da acusação: Desinformação e "campanha do medo"
O cerne da denúncia reside no uso estratégico da ferramenta de coautoria do Instagram, conhecida como "collab", que permite que múltiplas contas assinem a mesma publicação simultaneamente. Segundo a campanha de Flávio Bolsonaro, essa funcionalidade estaria sendo utilizada para amplificar postagens que atribuem a ele uma série de intenções que o candidato nega veementemente. Entre as alegações falsas espalhadas pela rede estariam a privatização do SUS, a extinção do Bolsa Família, o fim do 13º salário, cortes no programa Farmácia Popular e o congelamento de aposentadorias. Além disso, as publicações mais radicais chegariam a acusá-lo de planejar um golpe de Estado, instaurar uma ditadura, impor jornadas de trabalho exaustivas de 16 horas diárias em escala 7x0 e permitir a interferência dos Estados Unidos na eleição brasileira.
Para embasar a denúncia, os advogados da campanha de Flávio Bolsonaro realizaram um levantamento detalhado em um período de aproximadamente 62 horas, entre os dias 5 e 7 de outubro. Foram mapeados 1.525 perfis conectados por 5.882 relações de coautoria, organizadas em 16 grupos distintos. Desse universo, 218 publicações foram classificadas como pertencentes ao "núcleo de desinformação", sendo 24 delas consideradas completamente falsas e 194 descontextualizadas sem confirmação. Essas 218 postagens, produzidas por 123 perfis, alcançaram impressionantes 11,6 milhões de visualizações e geraram 2,5 milhões de interações, com a petição apontando que 80% delas foram veiculadas através de "collabs".
Os pedidos da campanha de Flávio Bolsonaro
Diante do que considera uma grave violação da lisura do processo eleitoral, a ação da campanha de Flávio Bolsonaro não se limita aos pedidos de cassação e suspensão de perfis. Solicita também a remoção de 221 publicações específicas em um prazo de 24 horas, o bloqueio das coautorias entre 48 perfis considerados os principais articuladores da rede e uma ordem expressa para que a campanha de Lula e os perfis a ela vinculados se abstenham de redistribuir tais postagens. Ademais, a petição pede a quebra de sigilo dos responsáveis por perfis anônimos e propõe multas elevadas: R$ 100.000 por hora para as plataformas que descumprirem as ordens e R$ 50.000 por publicação a quem violar as determinações judiciais. Até o momento, a campanha do presidente Lula não se manifestou publicamente sobre o caso.
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