Trump cobra ação do governo Lula após “falha” contra Pcc e Cv
Relatório anual da Casa Branca critica a atuação de Brasília no combate ao PCC e ao Comando Vermelho, acusa as facções de fortalecer rotas internacionais de cocaína e pede medidas urgentes do governo federal.

Divulgação
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a pressionar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por uma atuação mais firme contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Em documento anual encaminhado ao Congresso norte-americano em 15 de setembro de 2026, a Casa Branca afirmou que as duas organizações transformaram o Brasil em um centro relevante para o fluxo global de cocaína.
Brasil apontado como rota da cocaína
O relatório avalia anualmente países envolvidos na produção de drogas ilícitas ou na passagem de cargas destinadas ao mercado internacional. Ao incluir o Brasil na lista, a administração Trump criticou diretamente a estratégia do governo federal e comparou a resposta brasileira à de outros países do Hemisfério Ocidental que, segundo o texto, têm adotado medidas mais duras contra cartéis e redes de tráfico.
Para a Casa Branca, a presença e a capacidade operacional do PCC e do CV não representam apenas um problema de segurança pública dentro do território brasileiro. O documento sustenta que as organizações ampliaram conexões externas e passaram a ocupar posição estratégica nas rotas internacionais da cocaína, razão pela qual pede uma resposta urgente de Brasília.
Facções classificadas como terroristas
Os Estados Unidos classificaram o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras. A decisão foi oficializada em junho no Diário Oficial norte-americano e amplia o enquadramento jurídico aplicado aos dois grupos sob a jurisdição dos EUA. Washington destacou a violência das ações atribuídas às facções, incluindo ataques contra policiais, autoridades públicas e civis.
Segundo as autoridades norte-americanas, PCC e CV reúnem milhares de integrantes e mantêm atividades que ultrapassam as fronteiras do Brasil, alcançando outros países da América do Sul e os próprios Estados Unidos. A designação reforça a leitura de Washington de que o crime organizado brasileiro adquiriu alcance transnacional e passou a representar uma ameaça à segurança internacional.
Sanções e bloqueio de ativos
Com a classificação, autoridades dos Estados Unidos podem bloquear contas e ativos vinculados aos grupos, restringir transações financeiras, dificultar o acesso ao sistema bancário norte-americano e aplicar sanções a pessoas ou empresas que mantenham relações comerciais com integrantes das facções. A medida também oferece instrumentos adicionais para investigações e ações contra redes de apoio ao tráfico.
A designação produz efeitos principalmente dentro da jurisdição dos Estados Unidos e não equivale, por si só, a um enquadramento idêntico no ordenamento brasileiro. Ainda assim, aumenta a pressão diplomática sobre o governo Lula e pode intensificar a cooperação entre autoridades dos dois países em operações financeiras, investigações criminais e ações contra rotas usadas pelo narcotráfico.
Cobrança amplia tensão com Brasília
A nova cobrança de Trump ocorre em um momento de maior atenção internacional ao avanço de organizações criminosas brasileiras fora do país. Ao atribuir ao governo federal responsabilidade direta pelo crescimento do problema, a Casa Branca busca transformar o combate ao PCC e ao CV em uma demanda central da agenda bilateral. A resposta de Brasília deverá indicar se haverá mudanças na política de segurança e na cooperação com Washington.
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