Lula usa “sangue de Cristo” para explicar vermelho do Pt
Durante encontro com evangélicos no Planalto, Lula afirmou que comparava a cor da bandeira do PT ao sangue de Cristo. Presidente também defendeu a ordenação de mulheres na Igreja Católica e reforçou a aproximação com líderes religiosos.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira (16) que, no passado, usava o “sangue de Cristo” como referência para explicar a cor vermelha da bandeira do PT. A fala ocorreu durante um encontro com integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito e representantes religiosos do Brasil, dos Estados Unidos e de Cuba, no Palácio do Planalto.
Lula defende interpretação dos símbolos do PT
Ao recordar questionamentos sobre os símbolos petistas, Lula disse que também comparava a estrela da legenda às referências utilizadas por navegadores para se orientar no mar. Sobre a barba, afirmou que lembrava aos interlocutores que Jesus Cristo era barbudo. As explicações foram usadas pelo presidente para rejeitar leituras que afastam sua trajetória política e a identidade do PT de referências cristãs.
Lula também criticou regras da Igreja Católica que impedem a ordenação de mulheres e impõem o celibato aos padres. Para o presidente, a instituição enfrentará dificuldades enquanto não permitir que mulheres se tornem sacerdotisas e bispos. Ele avaliou que igrejas evangélicas apresentam uma vantagem nesse ponto ao admitir mulheres em posições de liderança, embora a participação feminina varie entre denominações e comunidades.
Reunião reforça aproximação com evangélicos
O encontro integra a estratégia do governo e do PT de ampliar o diálogo com o eleitorado evangélico, segmento historicamente marcado por maior resistência à legenda. A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito declarou apoio à reeleição de Lula em agosto e defendeu que a permanência do presidente no poder está alinhada a valores cristãos.
A aproximação ocorre em um cenário eleitoral desafiador para o petismo entre fiéis evangélicos. Levantamento PoderData/Aya realizado entre 9 e 12 de agosto indicou que 62% desse grupo desaprovam o governo Lula. O dado mostra a dimensão do trabalho político necessário para reduzir resistências e disputar votos em um segmento cada vez mais relevante no eleitorado brasileiro.
Apesar do diálogo com líderes religiosos, Lula reafirmou que não aceita transformar cultos em espaços de campanha. “Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço”, declarou. A distinção entre participação religiosa e atividade eleitoral foi echoed por Jorge Messias, advogado-geral da União, que classificou o púlpito como um lugar sagrado e defendeu uma mensagem baseada em amor, compaixão e solidariedade.
Janja Lula da Silva, Eliziane Gama e representantes de igrejas brasileiras e estrangeiras participaram da reunião. A pauta incluiu desigualdade, conflitos internacionais e o papel das religiões na promoção da paz. Lula deve levar esses temas ao discurso que fará na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em 23 de setembro.
O evento, sem presença de jornalistas, teve cerca de 25 minutos e reforçou a tentativa do presidente de ocupar um espaço simbólico importante na disputa política: apresentar sua trajetória, seus símbolos partidários e seu projeto eleitoral como compatíveis com valores religiosos e com a atuação social de diferentes igrejas.
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