Tarcísio critica interferência do Judiciário em debate eleitoral
Governador de São Paulo avalia que eleitor foi o principal prejudicado com o cancelamento do debate da TV Globo e defende autocontenção do Judiciário.

Divulgação
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), manifestou nesta sexta-feira (2) forte crítica à atuação do Poder Judiciário em questões eleitorais, classificando-a como uma interferência que prejudica o processo democrático. A declaração surge em resposta ao cancelamento do debate promovido pela TV Globo, que estava agendado para a véspera. Segundo o governador, o grande prejudicado por essa supressão do debate foi o eleitor, que teve sua oportunidade de conhecer as propostas dos candidatos cerceada.
Eleitor como principal prejudicado
Tarcísio de Freitas argumentou que o debate cancelado representava a última chance para que os candidatos pudessem apresentar suas visões, discutir os desafios e as oportunidades para o estado. Ele ressaltou que episódios como este, onde o Judiciário intervém de forma a impactar o debate público, acabam por minar a credibilidade da própria instituição. "Mais uma vez, o Judiciário vai ser descredibilizado por conta do próprio Judiciário, e isso é muito grave", declarou o governador, enfatizando a gravidade da situação.
Confiança nas instituições e autocontenção
O governador defendeu que a restauração da confiança nas instituições passa, necessariamente, por uma postura de autocontenção por parte de seus membros. Tarcísio comparou a atuação ideal do Judiciário à de um bom árbitro em uma partida de futebol: aquele que permite que o jogo flua, que cumpre as regras e deixa o espetáculo acontecer, sem intervir excessivamente ou tentar direcionar o resultado. "Quando o juiz interfere, quando o juiz quer aparecer muito, quando o juiz para o jogo toda hora, quando o juiz dá muito cartão, a gente tem um problema. E é pior ainda, quando o juiz quer interferir no resultado da partida", ilustrou.
Limites impostos pela lei
Para Tarcísio de Freitas, os magistrados devem atuar estritamente dentro dos limites estabelecidos pela própria lei, uma condição que, em sua visão, não tem sido observada. A decisão da TV Globo de cancelar o debate foi motivada por duas ordens judiciais: uma do Tribunal Superior Eleitoral, que proibiu a exibição do púlpito vazio reservado a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e perguntas direcionadas ao presidente, e outra do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que determinou a inclusão de Renan Santos (Missão). Flávio Bolsonaro (PL) também havia desistido de participar.
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