Agu aciona PF para apurar suposto repasse de verba dos EUA a ações contra STF
A Advocacia-Geral da União (AGU) solicitou à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) a investigação de um suposto financiamento do governo americano, sob Donald Trump, para ações de deslegitimação do Supremo Tribunal Federal (STF) e interferência no processo eleitoral brasileiro.

Divulgação
A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou a abertura de um procedimento junto à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar a alegação de que o governo dos Estados Unidos, durante a gestão de Donald Trump, teria destinado recursos financeiros para a promoção de campanhas voltadas a descredibilizar o Supremo Tribunal Federal (STF) e influenciar o cenário eleitoral brasileiro. A iniciativa surge em resposta a uma reportagem publicada pelo jornal inglês The Guardian, que detalha um suposto repasse de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,1 milhões) para projetos com o objetivo de atacar a corte brasileira.
Grave denúncia e processo eleitoral em curso
A AGU classificou a informação como extremamente grave, especialmente considerando que o Brasil se encontra em meio a um processo eleitoral. A pasta ressaltou que, caso a denúncia se confirme, o recebimento de capital estrangeiro com o intuito de orquestrar ataques sistemáticos à soberania nacional e ao funcionamento das instituições judiciárias brasileiras, utilizando fundos internacionais desviados de seu propósito original de proteção aos direitos humanos, configuraria uma clara ingerência externa nos assuntos internos do Estado. A AGU enfatizou a necessidade de apurar a fundo a origem e o destino desses recursos.
Detalhes da operação e histórico de pressões
Segundo a publicação do The Guardian, a ação em questão seria intitulada "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil" e teria o propósito de financiar grupos da sociedade civil que se opõem ao que o projeto denomina de "excesso de atuação judicial e censura" por parte do STF. Os recursos teriam sido alocados pelo Congresso dos EUA ao Fundo de Direitos Humanos e Democracia (HRDF). A reportagem também trouxe à tona o histórico de pressões do governo Trump sobre instituições brasileiras, incluindo sanções ao ministro Alexandre de Moraes e críticas às restrições impostas pelo STF a plataformas digitais americanas, vistas por Washington como um obstáculo à liberdade de atuação das bigtechs.
Ampla destinação de verbas e preocupações com a soberania
A matéria do jornal britânico detalha que o Departamento de Estado dos EUA teria acesso a documentos que indicam a destinação de US$ 176,9 milhões (cerca de R$ 918 milhões) para 43 projetos globais, visando promover a agenda do governo Trump. O caso brasileiro, embora de menor vulto financeiro em comparação com outros projetos mencionados, levanta sérias preocupações sobre a autonomia e a soberania do país em relação a interferências externas. A AGU, ao acionar a PF e a PGR, demonstra o compromisso do governo brasileiro em salvaguardar suas instituições democráticas e investigar qualquer tentativa de desestabilização externa.
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