Lula defende Jaques Wagner e aponta gestão anterior em caso Master
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o senador Jaques Wagner das acusações relacionadas ao Banco Master e Credcesta, atribuindo irregularidades à gestão anterior do Banco Central. No entanto, o senador baiano é alvo de investigações sérias, incluindo a Operação Compliance Zero e alegações de pagamentos de propina.

Divulgação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) veio a público nesta quinta-feira (1º de outubro de 2026) para defender o senador Jaques Wagner (PT-BA) das acusações ligadas ao Banco Master e ao Credcesta. Durante uma entrevista recente, o chefe do Executivo afirmou que Wagner “não tem nada a ver” com as supostas irregularidades e destacou que o senador tem total interesse em esclarecer os fatos. “Tudo que Jaques Wagner quer é ser chamado para prestar depoimento”, declarou Lula, reforçando a inocência do aliado.
Origem do Credcesta e a versão presidencial
O Credcesta, pivô de parte das controvérsias, tem sua origem na privatização da Empresa Baiana de Alimentos, que posteriormente se associou a empresários ligados à operadora PKL One. Essa operação ocorreu durante a gestão de Rui Costa (PT) no governo da Bahia e, em seguida, passou a ser administrada por empresas conectadas ao Banco Master, com o Banco Máxima adquirindo parte do negócio e integrando o Credcesta. Segundo a versão do presidente Lula, a política de cesta básica instituída por Wagner quando governador da Bahia foi o ponto de partida para o que viria a ser o Credcesta. Lula afirmou que Wagner “vendeu para eles” e que, após a transação, “eles passaram a tomar conta disso”, posteriormente buscando a autorização para se tornar um banco em Brasília.
Lula atribui problemas à gestão Bolsonaro e Banco Central
Em um movimento para desvincular seu governo e o senador Jaques Wagner de qualquer irregularidade, o presidente Lula atribuiu a transformação da instituição em banco, e consequentemente as “maracutaias e trambiques”, à gestão de Jair Bolsonaro (PL). Ele pontuou que a mudança de status da instituição para banco ocorreu durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central, período a partir do qual, segundo o presidente, os problemas teriam se iniciado. Essa declaração estabelece um contraste direto entre as operações iniciais na Bahia e as supostas ilegalidades que surgiram após a instituição se consolidar como banco.
Investigações sérias e alegações contra Wagner
Apesar da defesa veemente do presidente, o senador Jaques Wagner é alvo de sérias investigações. Ele foi um dos nomes visados na 9ª fase da Operação Compliance Zero, que também incluiu o empresário Augusto Ferreira Lima, proprietário do Banco Pleno e ex-sócio do Master. Foram expedidos 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, São Paulo e Distrito Federal, além de medidas cautelares como a proibição de contato entre os investigados e a suspensão de passaportes. A Polícia Federal apura a possível configuração de crimes como corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro relacionados ao caso.
Detalhes da suposta relação e pagamentos de propina
As complicações para Jaques Wagner se aprofundam com as alegações do banqueiro Daniel Vorcaro. Em uma proposta de delação, Vorcaro teria afirmado que realizava pagamentos mensais de R$ 3 milhões em propina a um grupo ligado ao senador. Os pagamentos, segundo ele, seriam divididos em duas modalidades principais: R$ 2 milhões via contrato entre o Banco Master e a PKL One – empresa que explorava o Credcesta e que, conforme investigações da Polícia Federal, era controlada por Augusto Lima e Wagner como sócios ocultos – e mais R$ 1 milhão pagos em espécie a aliados do senador. Tais acusações pintam um cenário de envolvimento direto e profundo, contrastando com a defesa apresentada pelo presidente da República.
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