Senador anuncia ação no STF para pressionar Alcolumbre a instalar CPI do Banco Master
Alessandro Vieira pretende impetrar mandado de segurança para obrigar a instalação da comissão que investiga relações entre ministros do STF e Daniel Vorcaro.

Divulgação
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) anunciou que entrará com um mandado de segurança no Supremo Tribunal Federal para tentar obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a instalar a CPI do Banco Master. A comissão foi requerida para investigar as relações dos ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, fundador da instituição financeira.
Senador recorre ao STF
Vieira afirma que Alcolumbre não respondeu a pedidos formais, ofícios, despachos e tentativas de contato sobre o requerimento. Na avaliação do senador, a Mesa Diretora não pode se omitir diante de suspeitas que envolvem integrantes da Suprema Corte, pois a Constituição assegura ao Congresso instrumentos para exercer fiscalização e conduzir investigações.
O mandado de segurança é utilizado quando um direito líquido e certo é ameaçado ou violado por autoridade pública. Se o STF acolher o pedido, poderá determinar a instalação da comissão ou estabelecer um prazo para que a Presidência do Senado se manifeste. A tese, no entanto, tende a reacender o debate sobre os limites entre os Poderes e a autonomia do Legislativo para organizar seus trabalhos internos.
Pedido reúne 41 assinaturas
O requerimento da CPI do Banco Master conta com 41 assinaturas de senadores e está parado há seis meses na Mesa Diretora. Entre os parlamentares que apoiam a proposta estão Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Wilder Morais (PL-GO), além de Alessandro Vieira, Sergio Moro, Eduardo Girão, Magno Malta, Flávio Bolsonaro e Damares Alves.
A instalação de uma comissão parlamentar de inquérito depende do cumprimento de requisitos regimentais e do apoio mínimo previsto no Regimento Interno do Senado. A demora na análise do pedido passou a ser tratada pelos defensores da CPI como uma questão política e institucional, enquanto adversários podem questionar a extensão do poder do Judiciário para interferir na pauta da Casa.
STF analisa relatório da Polícia Federal
O plenário do Supremo iniciou nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, o julgamento de um relatório da Polícia Federal que cita uma possível relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O fundador do Banco Master é investigado no âmbito de um esquema apontado pelas autoridades como uma das maiores fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Esta será a primeira vez que o plenário do STF analisará a abertura de uma investigação específica sobre a conduta de um de seus ministros. A decisão poderá influenciar diretamente o ambiente político em torno da CPI e ampliar a discussão sobre os mecanismos de controle entre os Poderes da República.
Investigação e preservação institucional
Alessandro Vieira sustenta que todos os fatos precisam ser esclarecidos por meio dos mecanismos legais. Para o senador, as investigações conduzidas pela Polícia Federal e os questionamentos apresentados ao STF exigem resposta institucional, sem antecipação de culpados ou prejuízo ao direito de defesa.
O caso coloca em lados opostos duas demandas sensíveis: de um lado, a exigência de transparência e investigação de eventuais irregularidades; de outro, a necessidade de preservar a independência do Judiciário e evitar que disputas políticas sejam conduzidas fora dos limites constitucionais. A resposta do STF ao mandado de segurança será acompanhada como um novo capítulo da disputa entre o Senado e a Corte.
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