Senado aprova redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais
Proposta de Emenda à Constituição que limita a carga horária semanal a 40 horas, com dois dias de descanso, é aprovada em dois turnos no Senado e segue para promulgação. Medida prevê transição gradual e mantém flexibilidade por acordos coletivos.

Divulgação
O Senado Federal aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece a redução da jornada de trabalho semanal de 44 para 40 horas. A medida, que também garante o direito a dois dias de repouso semanal remunerado, sendo um deles preferencialmente aos domingos, foi aprovada com ampla maioria. No primeiro turno, o placar foi de 75 votos a favor, 1 contra e 5 abstenções. O segundo turno repetiu o resultado, consolidando a aprovação do texto que agora segue para promulgação pelas mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, sem necessidade de sanção presidencial por se tratar de uma emenda constitucional.
Aprovação com ampla margem
A votação no Senado demonstrou um consenso significativo em torno da proposta. Para ser aprovada como PEC, a medida exigia o apoio mínimo de 49 senadores em cada turno, um patamar amplamente superado. A aprovação em dois turnos é um rito obrigatório para emendas constitucionais, garantindo que a matéria seja debatida e votada com a devida profundidade antes de sua promulgação. A aprovação representa um marco importante nas relações de trabalho no país, impactando diretamente a vida de milhões de trabalhadores.
Entenda os detalhes da nova jornada
A nova legislação estabelece um teto de 8 horas diárias de trabalho, com a redução para 40 horas semanais sem a correspondente diminuição salarial. A implementação da medida não será imediata, prevendo uma transição gradual ao longo de 14 meses. Nos primeiros dois meses após a publicação da emenda, a jornada máxima passará para 42 horas semanais, e o direito aos dois dias de descanso entrará em vigor. Após um ano dessa primeira fase, a jornada será reduzida ao limite final de 40 horas semanais. Importante ressaltar que a proposta mantém a possibilidade de compensação de horários por meio de acordos ou convenções coletivas, permitindo flexibilidade em casos específicos, desde que haja formalização e respeito à média mensal de repousos.
Caminho da PEC e autoria
A PEC 221 de 2019, que culminou na aprovação da redução da jornada, teve como relatores no Senado o senador Omar Aziz (PSD-AM) e na Câmara o deputado Leo Prates (Republicanos-BA). A iniciativa partiu do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), sendo apensada a um projeto de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP). A aprovação da proposta reflete um debate legislativo que se estendeu por anos, buscando um equilíbrio entre as demandas dos trabalhadores por melhores condições de vida e as necessidades de produtividade e competitividade do mercado de trabalho brasileiro.
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