Canal "Exército de Lula" sai do ar e pode retornar após 48 horas
Decisão do ministro do TSE Kassio Nunes Marques determina que ferramenta com 4 milhões de inscritos cumpra normas de identificação para ser reativada.

Divulgação
O canal de WhatsApp conhecido como "Exército do Lula" foi temporariamente desativado na noite de terça-feira (13.out.2026), após uma determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques. A plataforma, que conta com mais de 4 milhões de inscritos, tem a possibilidade de retomar suas atividades após um período de 48 horas, conforme estabelecido em resolução da Corte Eleitoral. O canal, coordenado pelo deputado reeleito André Janones (Rede-MG), tem como objetivo principal a disseminação de áudios, vídeos e orientações para os apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Apesar do registro formal do canal pela campanha de Lula ter sido reconhecido pelo TSE na mesma terça-feira, o ministro Kassio Nunes Marques impôs a condição de que a ferramenta só poderá voltar a operar após o cumprimento do prazo de 48 horas. Durante esse período, o envio de novas atualizações e a admissão de novos seguidores permanecem suspensos. A retomada das atividades está condicionada também à plena conformidade com as normas de identificação do responsável pela propaganda eleitoral, um ponto crucial para a regularização.
A decisão do ministro surgiu em resposta a um processo apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que levantou questionamentos sobre a regularidade e o funcionamento do canal. Inicialmente, Nunes Marques havia determinado a suspensão integral da ferramenta. Contudo, após a campanha de Lula formalizar o registro do endereço eletrônico, as exigências foram consideradas atendidas, embora com a ressalva do prazo de 48 horas. A defesa de Lula, ao registrar o canal no TSE, declarou que a medida visava apenas cumprir a determinação do ministro, ressaltando que o registro não implicava em assumir a administração direta da plataforma nem o reconhecimento de que ela já integrava a propaganda eleitoral oficial da candidatura, pois o canal foi criado e é administrado por Janones.
A questão gerou debates internos na Justiça Eleitoral. Antes da decisão de Nunes Marques, o corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Ricardo Villas Bôas Cueva, havia defendido que a discussão fosse levada ao plenário do TSE, buscando uma solução colegiada. A divergência de entendimentos na cúpula da Justiça Eleitoral intensificou a disputa judicial. O deputado André Janones, em vídeo divulgado em suas redes sociais, criticou a retirada do canal do ar, classificando o episódio como um marco na história política brasileira e na defesa da democracia. Ele também levantou a possibilidade de a desativação estar relacionada à votação do fim da escala de trabalho 6 por 1, questionando se seria uma coincidência.
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