Jornada de trabalho: Erika Hilton acusa Flávio Bolsonaro de usar pauta por interesse eleitoral
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) lançou fortes críticas ao senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), acusando-o de mudar sua posição sobre o fim da escala 6x1 por pura estratégia eleitoral. A congressista também questionou a ausência do senador no plenário durante a votação da proposta, que foi aprovada e promete impactar milhares de trabalhadores.

Divulgação
Em um embate político que esquenta o cenário pré-eleitoral, a deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) não poupou o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência, de duras acusações. Segundo a parlamentar, o senador teria alterado sua postura em relação ao fim da escala de trabalho 6x1, buscando capitalizar eleitoralmente com a pauta. A declaração foi feita em meio à votação da proposta que põe fim ao regime de trabalho, um tema de grande relevância para a classe trabalhadora brasileira.
A controvérsia ganhou destaque na última semana, quando a medida, que visa extinguir a escala 6x1 e promover melhorias nas condições de trabalho, foi aprovada em dois turnos no Congresso, com expressivos 75 votos favoráveis e apenas um contrário em cada etapa da votação. Erika Hilton classificou o apoio de Flávio Bolsonaro à redução da jornada como uma "manobra eleitoreira" descarada, projetada para angariar votos em sua corrida presidencial. "Flávio usa trabalhadores para se eleger", sentenciou a deputada, ressaltando a percepção de que a mudança de posição do senador seria meramente estratégica e não um compromisso genuíno com os direitos laborais.
O posicionamento e a ausência no plenário
Apesar das críticas, Flávio Bolsonaro de fato registrou seu voto favorável à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que encerra a escala 6x1. Contudo, o voto foi realizado remotamente, justificado por compromissos de campanha em Porto Alegre (RS). Essa ausência física no plenário, durante um momento crucial de votação, foi outro ponto de ataque de Erika Hilton. A deputada questionou a falta de presença do senador para apresentar seus argumentos e defender a proposta diante dos demais parlamentares e, sobretudo, dos trabalhadores afetados. Ela apontou a ausência como uma falha em se posicionar, especialmente em relação às mulheres submetidas a essa escala, incluindo as mães atípicas, que enfrentam desafios adicionais.
Temores de reversão e a defesa de outra proposta
A deputada do Psol foi além, alertando para a possibilidade de uma reversão da medida caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente. Segundo Erika, o senador defende uma proposta alternativa que preconiza a negociação direta entre patrões e empregados sobre a jornada e a remuneração por hora trabalhada, o que poderia, em sua visão, fragilizar as conquistas alcançadas. "Se ele se tornar presidente do Brasil, a escala 6x1 vai voltar", previu a deputada, expressando o temor de que os avanços em prol dos trabalhadores sejam desfeitos. Hilton também responsabilizou Flávio e seus aliados pela demora na aprovação da proposta, acusando o grupo de ter atuado para adiar a mudança nas regras trabalhistas, só passando a apoiá-la quando percebeu o potencial eleitoral da medida.
O embate evidencia a polarização política e a intensidade do debate sobre as leis trabalhistas no Brasil, com acusações de oportunismo eleitoral pairando sobre discussões que impactam diretamente a vida de milhões de brasileiros. A repercussão dessas declarações certamente aquecerá ainda mais o ambiente político em ano de eleições, colocando em xeque a credibilidade dos posicionamentos de figuras públicas frente a temas sensíveis como os direitos dos trabalhadores.
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