Eduardo Bolsonaro projeta saída de Moraes do STF em cenário de Flávio presidente
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) traçou um cenário político ambicioso para sua família, afirmando que a eleição de seu irmão Flávio Bolsonaro à presidência implicaria na saída do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal e abriria caminho para seu próprio retorno ao Brasil, onde enfrenta um mandado de prisão.

Divulgação
Em uma declaração que agitou o cenário político, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou, nesta quarta-feira (14.out.2026), que a eventual vitória de seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), nas eleições presidenciais em segundo turno, resultaria na remoção do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). A fala, carregada de intensidade, foi proferida a jornalistas em Washington, nos Estados Unidos, pouco antes de seu discurso no evento Hispanic Heritage Gala, e desenha um panorama de profundas mudanças institucionais e pessoais para a família Bolsonaro.
Ainda na capital norte-americana, Eduardo Bolsonaro não poupou críticas ao ministro, declarando a necessidade de “expurgar esse câncer chamado Alexandre de Moraes da Suprema Corte”. Ele revelou que a questão com Moraes é “muito pessoal” e que não vislumbra um governo de Flávio Bolsonaro funcionando com o atual ministro na Corte. Esta projeção está intrinsecamente ligada à sua própria situação. Desde fevereiro de 2025, Eduardo vive em autoexílio nos EUA, alegando ser alvo de “perseguição política” contra sua família, e enfrenta um mandado de prisão definitiva expedido por Moraes em 8 de outubro, por condenação de coação no curso do processo.
Caminho para a anistia e a Corte
A esperança de Eduardo Bolsonaro de retornar ao Brasil, mesmo com um green card que garante sua permanência e trabalho nos EUA, parece estar diretamente condicionada à ascensão de seu irmão ao Palácio do Planalto. Com Flávio eleito, o ex-deputado vislumbra a possibilidade de receber anistia pela sua condenação, permitindo seu regresso ao país. Paralelamente, a saída de Alexandre de Moraes do STF seria facilitada por um Senado Federal que, em 2027, projeta-se com uma bancada majoritariamente de direita e alinhada ao bolsonarismo. Esse alinhamento abriria portas para um possível quórum necessário à aprovação de um pedido de impeachment contra o ministro, modificando drasticamente o equilíbrio de poderes.
Discurso em Washington e alinhamento político
O palco da declaração de Eduardo Bolsonaro foi o Hispanic Heritage Gala, um evento organizado pela plataforma conservadora Latino Wall Street Foundation, que celebra as contribuições da comunidade hispânica de direita nos EUA. O ponto alto da noite foi a presença do presidente argentino Javier Milei, que mencionou os Bolsonaro em seu discurso. Após Milei, Eduardo subiu ao palco para elogiar governistas latinos de direita e reafirmar a expectativa de, com uma possível vitória de Flávio, “finalmente vamos libertar o nosso país, começando pelo meu pai”. Ele fez questão de reiterar o orgulho que sente por Jair Bolsonaro, negando qualquer vergonha pela situação judicial do ex-presidente, em um claro sinal de união e força política do grupo.
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