Quaquá afirma que evento com artistas não rende voto a Lula
Coordenador da campanha de Lula no Rio de Janeiro critica a falta de integração com a coordenação nacional e defende uma estratégia capaz de conquistar eleitores ainda indecisos.

Divulgação
O vice-presidente nacional do PT e prefeito de Maricá, Washington Quaquá, afirmou nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, que não foi convidado para um ato previsto para a próxima semana no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de artistas. Quaquá também coordena a campanha do petista no estado e avaliou que a iniciativa tem alcance eleitoral limitado.
Artistas mobilizam a base, mas não ampliam o eleitorado
Caetano Veloso, Chico Buarque e Maria Bethânia estão entre os nomes citados para o encontro na Fundição Progresso. Quaquá reconheceu a importância dos três artistas e destacou que eles já manifestaram apoio a Lula. Ainda assim, defendeu que a campanha precisa buscar eleitores que ainda não decidiram o voto ou estão afastados do petismo.
“Não ganha um voto com isso. Não há dúvida de que Caetano, Chico e Bethânia são grandes artistas, mas eles já votam no Lula. Precisamos ganhar o voto de quem não vota nele. Do cantor gospel, do sertanejo. Política é agregar o que não tem”, afirmou. A declaração indica uma divergência sobre a estratégia cultural adotada pela campanha em um momento considerado decisivo do pleito.
Declarações de apoio se somam à campanha
Caetano Veloso declarou apoio a Lula no domingo, 13 de setembro, durante um show no Sesc Taguaparque, em Taguatinga, no Distrito Federal. O cantor fez o gesto com os dedos em formato de “L” e disse “bora, Lula” diante do público. Em 2022, o artista baiano já havia anunciado apoio à eleição do petista.
Maria Bethânia manifestou apoio no sábado, 12 de setembro, durante apresentação no Coala Festival, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Outros artistas, como Daniela Mercury, Malu Mader e o cineasta Kleber Mendonça Filho, também declararam voto em Lula ao longo da campanha deste ano.
Crítica aponta falhas de articulação
A avaliação de Quaquá ocorre em meio a reclamações sobre a relação entre a coordenação estadual no Rio de Janeiro e a estrutura nacional da campanha. Em publicação nas redes sociais, o prefeito disse que foi colocado na função “entre aspas”, mas não recebe retorno adequado da equipe comandada por Edinho Silva, presidente nacional do PT.
“Fui, entre aspas, posto coordenador de campanha, mas não há qualquer relação com a coordenação nacional, não somos ouvidos para nada”, escreveu. A fala revela tensões internas e aumenta a pressão por uma articulação mais eficiente entre dirigentes, candidatos e equipes responsáveis pela estratégia eleitoral.
Campanha cobra comunicação mais integrada
Quaquá defendeu um ajuste imediato não apenas na campanha, mas também no projeto nacional de Lula. Para ele, a disputa exige uma comunicação mais ampla e capaz de dialogar com públicos que ainda não respondem às mensagens tradicionais do petismo.
Congressistas do partido também relatam dificuldades para obter informações sobre pesquisas, diretrizes e prioridades da campanha. A falta de integração tem sido apontada como um dos principais problemas do setor de comunicação, criticado por integrantes da sigla por manter um funcionamento considerado “analógico” e distante das demandas da disputa eleitoral.
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