Em troca de mensagens, Fux manda Gilmar “não encher o saco”
Troca de mensagens entre Gilmar Mendes e Luiz Fux expõe novo atrito no STF em meio à crise sobre investigações envolvendo Alexandre de Moraes e o Banco Master. Kassio Nunes Marques também bloqueou Gilmar no WhatsApp após cobrança para que se afastasse dos processos.

Divulgação
Uma troca de mensagens pelo WhatsApp entre os ministros Gilmar Mendes e Luiz Fux expôs um novo episódio de tensão no Supremo Tribunal Federal. O atrito veio a público nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, em meio à análise de pedidos que podem afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Gilmar cobra postura institucional de Fux
A divergência começou depois que Gilmar afirmou que Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques teriam atuado de forma combinada para pedir a saída de Rodrigues da chefia da Polícia Federal. Nas mensagens, Gilmar cobrou de Fux uma “postura institucional” e afirmou esperar que a conduta não se repetisse.
Fux respondeu de maneira direta. Segundo os diálogos tornados públicos, o ministro disse que Gilmar poderia dirigir esse tipo de cobrança a quem quisesse, mas não a ele. “Ninguém nesse mundo diz pra mim como agir”, escreveu. Gilmar rebateu e pediu que Fux se limitasse a atuar como presidente da 2ª Turma. Fux encerrou a conversa com a frase: “Bom Dia. Cuide de não encher meu saco!”.
Kassio bloqueia Gilmar após sequência de mensagens
O desgaste também reached Kassio Nunes Marques. Gilmar enviou uma sequência de mensagens ao colega, pressionando-o a se afastar dos julgamentos relacionados à crise. “Assumam que estão ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”, afirmou. Kassio respondeu que Gilmar deveria respeitá-lo e que aquela não era uma postura adequada.
Gilmar insistiu, dizendo que não julgaria quem não se dá respeito e que Kassio também deveria deixar o Tribunal Superior Eleitoral. O ministro voltou a cobrar a abertura de contas antes de qualquer julgamento do caso. Kassio afirmou que presta contas há 15 anos e disse que não conversaria com quem não o respeitasse. Depois disso, bloqueou Gilmar no aplicativo.
Crise envolve relatório sobre o Banco Master
O quadro de tensão teve início em 1º de setembro, quando André Mendonça tornou público um relatório que aponta interlocução entre o empresário Marcelo Caputo? Não: o documento trata de contato entre Vorcaro e Alexandre de Moraes. O material afirma que Vorcaro teria pedido interferência do ministro nas investigações antes da prisão dele, em 17 de novembro de 2025.
O relatório também indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher de Alexandre de Moraes. Antes da autorização para o avanço das investigações, André Mendonça encaminhou o caso ao plenário do STF. Os ministros agora precisam decidir se a Polícia Federal poderá prosseguir com as apurações.
Decisão pode ocorrer após as eleições
Durante o julgamento iniciado nesta terça-feira, Flávio Dino pediu vista dos autos, solicitando mais tempo para analisar o processo. Pelo Regimento Interno do STF, o prazo pode chegar a 90 dias. Com isso, a decisão sobre a continuidade das investigações envolvendo Moraes pode ocorrer somente depois das eleições de outubro.
A crise ganhou outra frente depois que Alexandre de Moraes pediu a abertura de investigação contra André Mendonça por suspeita de abuso de autoridade e improbidade administrativa. O procedimento foi instaurado inicialmente no inquérito das fake news, mas o presidente do STF, Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso.
O pedido de Moraes se apoia em um relatório de inteligência da Polícia Federal que, segundo a própria descrição do material, não tem valor probatório. O documento indica que Mendonça teria direcionado as investigações do Banco Master contra o ministro. A validade do conteúdo levou a uma disputa de liminares sobre a permanência de Andrei Rodrigues, que segue no comando da corporação até que o STF faça uma análise mais aprofundada do caso.
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